China investe pesado na modernização de sua defesa bélica, e o Brasil precisa levar isso a sério
Em um mundo às portas de grandes conflitos territoriais, entender a estratégia chinesa é fundamental
Internacional|Marco Antonio Araujo, do R7

Às vésperas de sua visita à China, o presidente Lula deveria levar na mente uma informação estratégica e crucial para o futuro do globo terreste. Ele será recebido em um país que vai expandir em 7,2% seu orçamento de defesa em 2023.
É algo em torno de R$ 1 trilhão em armamentos e logística de guerra. Investimento idêntico já fora feito em 2022. É uma montanha de dinheiro. O papo é sério, o recado está dado e só não entende o que está acontecendo chefes de estado arrogantes que continuam brincando de globalismo num tabuleiro de War.
O anfitrião de Lula, Xi Jinping, acumula a presidência da Comissão Militar chinesa e faz questão de dar orientações diretas aos comandos de seu gigantesco exército.
"Precisamos melhorar o uso integrado dos nosso recursos e aumentar nossa capacidade geral de lidar com riscos estratégicos, defendendo nossos interesses e alcançando nossas metas”, afirmou o líder chinês, deixando claro que seu país está pronto para responder a qualquer ataque à soberania de suas fronteiras ou às suas ambições comerciais.
Não se pode acusar a China de algo muito comum no discurso de outras potências, incluídas EUA e Rússia. O expansionismo da Otan e a guerra da Ucrânia são provas de que o mundo trava uma batalha por territórios, uma estupidez que parecia enterrada com a Guerra Fria. Isso, a China não faz.
Ela não quer um centímetro sequer de terra alheia e não exporta ideologia (como a extinta União Soviética fazia). O Império do Meio aproveitou o desperdício de energia que os demais grandes países empregaram em disputas nas duas últimas décadas para crescer economicamente e se tornar a segunda maior economia do planeta.
O que estamos vendo, agora, com extrema nitidez, é que a China não se descuidou, ao contrário, sempre se preparou para qualquer cenário de guerra ou ameaça externa. As ameaças internas, isso sabemos, sempre foram tratadas à mão de ferro.
Tudo indica, infelizmente, que em breve a geopolitca mundial sofrerá mudanças profundas. A ameaça nuclear já faz parte do noticiário cotidiano. O tom de confronto sobe a cada dia. E ainda temos a imprevisível Coreia do Norte em suas ofensivas insanas contra o Japão.
Não há motivos para o Brasil entrar nessa briga de gigantes. A neutralidade, porém, é uma fantasia pacifista cada vez mais apertada. Serão tempos difíceis.













