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Como a guerra no Irã está enriquecendo a Guiana, país vizinho ao Brasil

Impulsionada pelo petróleo, economia guianense é uma das que mais crescem no mundo

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Guiana se beneficia economicamente da guerra no Irã, com aumento nas receitas do petróleo.
  • Produção de petróleo ultrapassa 920 mil barris por dia, com expectativa de atingir 1 milhão em 2026.
  • Crescimento médio anual da economia guianense é de 40,9% desde 2020, com receitas petrolíferas representando 37% do orçamento nacional em 2025.
  • Apesar do boom econômico, o país enfrenta inflação, desigualdade social e desafios na gestão dos recursos petrolíferos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Plataforma de petróleo no mar
Produção de petróleo da Guiana ultrapassa 920 mil barris por dia Reprodução/Record News

Enquanto boa parte do mundo teme os impactos econômicos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, a Guiana vive um cenário oposto. O conflito no Oriente Médio, que provocou disparada no preço do petróleo e afetou o fluxo comercial no estreito de Ormuz, ampliou significativamente as receitas do país sul-americano, vizinho ao Brasil, hoje considerado um dos novos polos petrolíferos globais. As informações são da BBC.

Segundo especialistas ouvidos pela emissora britânica, a combinação entre o aumento da produção de petróleo e a disparada no preço internacional do barril elevou significativamente os ganhos do governo guianense. Antes da guerra, o petróleo Brent era negociado em torno de US$ 62. Desde o início do conflito, a média passou para cerca de US$ 108, de acordo com dados da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA).


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Ao mesmo tempo, a produção de petróleo ultrapassou 920 mil barris por dia e segue em expansão. A expectativa é que o país alcance cerca de 1 milhão de barris diários em 2026. Para Sidney Armstrong, professor da Universidade da Guiana, o país se beneficia diretamente do atual cenário geopolítico, embora parte relevante da receita ainda fique com as empresas responsáveis pela exploração dos campos petrolíferos.

A rápida expansão do setor transformou a economia guianense em uma das que mais crescem no mundo. Segundo o Banco Mundial, o país registra crescimento médio anual de 40,9% desde 2020. Já as receitas do petróleo representaram cerca de 37% do orçamento nacional em 2025.


Dados citados pela revista The Economist indicam que as receitas petrolíferas da Guiana aumentaram em cerca de US$ 370 milhões por semana desde o início da guerra. Luiz Hayum, analista da consultoria Wood Mackenzie, afirmou à BBC que o governo pode arrecadar US$ 4 bilhões adicionais neste ano em relação às estimativas feitas antes da escalada do conflito.

Parte desses recursos é direcionada ao Fundo de Recursos Naturais, criado para administrar as receitas do petróleo e evitar gastos excessivos durante períodos de alta arrecadação. Em março deste ano, o fundo acumulava aproximadamente US$ 3,8 bilhões. Segundo especialistas, o dinheiro vem sendo usado para acelerar obras de infraestrutura, como estradas, escolas e centros de saúde.


Apesar do boom econômico, a Guiana também sofre os efeitos negativos da crise internacional. Armstrong afirmou que a inflação aumentou e reduziu o poder de compra da população. O economista destacou ainda que os preços dos alimentos subiram cerca de 25% em um curto período, pressionados pelo encarecimento de fertilizantes e outros insumos agrícolas.

Especialistas também alertam para desafios ligados à desigualdade social e à gestão dos recursos do petróleo. Embora o governo tenha ampliado investimentos e distribuído bônus financeiros à população, parte dos guianenses ainda convive com pobreza, falta de moradia e aumento do custo de vida. Para analistas ouvidos pela BBC, o principal desafio do país será transformar a riqueza gerada pelo petróleo em desenvolvimento sustentável e redução das desigualdades sociais.

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