China expulsa jornalista do New York Times e EUA revidam; entenda o que está acontecendo
Entrevista do jornal americano com o presidente de Taiwan, ilha reivindicada por Pequim, desencadeou a crise
Internacional|Do R7
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O governo da China expulsou uma jornalista do New York Times após uma entrevista com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te. O caso ocorreu em fevereiro, segundo o jornal americano, que revelou o incidente neste final de semana. Agora, o governo de Donald Trump deve adotar um ato de reciprocidade à decisão de Pequim e revogar o visto de um cidadão chinês que trabalha para a agência de notícias estatal Xinhua nos Estados Unidos.
Por se tratar de visto, o assunto é tratado sob sigilo nos EUA. No entanto, segundo a agência de notícias AP (Associated Press), um funcionário do Departamento de Estado confirmou o plano de revogar o visto do profissional chinês. A informação também foi confirmada por uma pessoa sob condição de anonimato familiarizada com o caso.
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O que aconteceu?
A correspondente Vivian Wang, que trabalhava em Pequim para o jornal americano, participou de um evento do New York Times que contou com a presença do presidente de Taiwan, Lai Ching-te. Na ocasião, o líder taiwanês concedeu uma entrevista ao colunista Andrew Ross Sorkin. A conversa foi realizada por videoconferência durante a conferência do jornal americano em Nova York. Wang, correspondente do jornal na China desde 2020, não teria participado da entrevista, mas o episódio serviu como motivo para a sua expulsão do país.
Na ocasião, Sorkin se referiu a Taiwan como um país, e Lai alertou sobre o comportamento agressivo de Pequim no Estreito de Taiwan, prometendo que “Taiwan fará tudo o que for necessário para se proteger”.
A China reivindica a ilha como uma província separatista e usa uma série de táticas para pressionar outros países que interagem com sua liderança. Lai e seu governo rejeitam as reivindicações de soberania de Pequim e afirmam que somente o povo da ilha pode decidir seu futuro.
Se confirmada a saída do jornalista chinês dos EUA, este terá sido uma das raras ocasiões em que o governo americano retaliou diretamente contra a expulsão de jornalistas americanos por Pequim.
O que a China diz sobre o caso?
A China afirmou na segunda-feira (1º) que sua decisão de revogar a autorização de residência da repórter do New York Times foi tomada de acordo com a lei, citando a violação das normas de imprensa estrangeira pelo jornalista e a “grave transgressão do princípio de Uma Só China” pelo jornal.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que a repórter tinha um “histórico comprovado de obtenção de entrevistas por meio de engano enquanto estava alocada na China”, o que viola as normas que regem as agências de notícias estrangeiras e as atividades de jornalistas estrangeiros na China.
Lin também acusou o The New York Times de disseminar retórica de “independência de Taiwan” e de se referir abertamente à região de Taiwan, pertencente à China, como um país.
O porta-voz criticou ainda os Estados Unidos por “reprimirem politicamente” um jornalista da Agência de Notícias Xinhua que trabalha legalmente nos EUA, sob o pretexto de reciprocidade. Ele observou que, embora a China tenha facilitado a obtenção de vistos para muitos jornalistas americanos nos últimos anos, os pedidos de jornalistas chineses para trabalhar nos EUA raramente são aprovados.
Qual a posição do The New York Times?
Na sexta-feira (29), o jornal divulgou um comunicado pedindo a reintegração de Wang como jornalista credenciada na China e instando ambos os governos a “reverterem essa deterioração no acesso de jornalistas”.
“A decisão do governo chinês de expulsar Vivian Wang está errada”, disse Joseph Kahn, editor-executivo do jornal, em um comunicado publicado no site corporativo do NYT. “Sua expulsão tornará ainda mais difícil para nosso público global obter reportagens precisas, independentes e aprofundadas sobre a segunda maior economia do mundo em um momento crítico.”
“O número de correspondentes de veículos de comunicação americanos autorizados a trabalhar na China caiu para um nível alarmantemente baixo, num momento em que a necessidade de pessoas em todo o mundo compreenderem a China é maior do que nunca”, acrescentou Kahn.
O que Taiwan declarou?
Taiwan criticou o uso de “métodos grosseiros” pela China para impedir que a mídia interagisse com seu presidente, Lai Ching-te, após a expulsão da repórter do New York Times .
Karen Kuo, porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, afirmou que é prática comum o presidente Lai Ching-te conceder entrevistas para explicar a posição de seu governo ao mundo.
“O uso de pretextos infundados e métodos grosseiros pela China para ameaçar a mídia e interferir na liberdade de imprensa não só não melhora sua imagem internacional, como também evidencia que a China de hoje é, de fato, uma fonte de instabilidade”, afirmou ela em comunicado.
Por que jornalistas são alvos na tensão entre China e EUA?
Com o agravamento das relações entre os EUA e a China, o Departamento de Estado americano designou, em 2020, alguns dos principais grupos de notícias chineses como “missões estrangeiras”. A Xinhua, por exemplo, tem a função, atribuída pelo Partido Comunista Chinês, de servir como porta-voz do partido e do governo, o que inclui a distribuição de notícias oficiais, segundo a AP.
Pequim, por sua vez, limitou drasticamente os vistos para jornalistas que trabalham para a mídia americana.
No total, pelo menos 18 jornalistas estrangeiros que trabalhavam para o The Washington Post, The New York Times e The Wall Street Journal foram expulsos no primeiro semestre de 2020, de acordo com o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China.
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