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Como os EUA poderiam bloquear os portos do Irã e remover minas do estreito de Ormuz

Donald Trump prometeu bloquear todos os portos iranianos a partir desta segunda-feira (13)

Internacional|Brad Lendon, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Marinha dos EUA foi encarregada de bloquear os portos do Irã e remover minas do Estreito de Ormuz durante o conflito em curso.
  • A operação busca maximizar a pressão econômica sobre o Irã, limitando seu comércio de energia e interceptando embarcações que pagam pedágios ilegais ao governo iraniano.
  • As ações marinhas marcam uma transição no conflito, que até então era dominado por operações aéreas, exigindo planejamento cuidadoso para evitar reações hostis do Irã.
  • Além da desminagem, a necessidade de apoio de aliados e a complexidade das minas no mar podem complicar ainda mais a execução das missões da Marinha dos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trump indicou que a missão pode ter um alcance ainda maior Marinha dos EUA via CNN Internacional - 18.03.2026

Seis semanas após o início da guerra com o Irã, o presidente Donald Trump está atribuindo à Marinha dos Estados Unidos as tarefas mais difíceis do conflito: bloquear os portos iranianos e limpar o estratégico estreito de Ormuz de quaisquer minas colocadas por Teerã.

A ordem de bloqueio se aplicaria a todos os portos iranianos, tanto dentro quanto fora do estreito — uma passagem crucial para o comércio global de energia, sobre a qual o Irã mantém controle desde o início da guerra — a partir das 11h (de Brasília) desta segunda-feira (13), segundo o CentCom (Comando Central dos EUA).


Trump indicou que a missão pode ter um alcance ainda maior, possivelmente bem além do golfo Pérsico.

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“Também instruí nossa Marinha a buscar e interceptar qualquer embarcação em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar”, disse neste domingo (12), referindo-se à cobrança imposta por Teerã para trânsito seguro.


O objetivo da missão é maximizar a pressão sobre o Irã, estrangulando seu fluxo de caixa vindo do comércio de energia. Mas resolver a crise energética global provocada pela guerra exigirá outra tarefa difícil: remover quaisquer minas marítimas que o Irã tenha instalado.

No sábado (11), Trump afirmou que a Marinha havia iniciado operações de desminagem no estreito. O CentCom confirmou, dizendo que dois destróieres americanos com mísseis guiados entraram na região para começar a “preparar o terreno para a remoção de minas”.


Mudança no conflito

As missões marcam uma mudança neste conflito, do ar para o mar. Até agora, a guerra vinha sendo conduzida principalmente por via aérea, embora um submarino dos EUA tenha afundado uma fragata da Marinha iraniana perto do Sri Lanka nos primeiros dias do conflito.

Aeronaves navais operando a partir de porta-aviões também participaram.


Mas essas missões não são tão complexas nem tão arriscadas quanto o que Trump está pedindo agora à Marinha.

O que é um bloqueio naval?

Um bloqueio é tanto uma ferramenta de guerra econômica quanto de guerra militar.

O Manual de Newport sobre o Direito Naval define bloqueio como “a captura de contrabando e a captura ou destruição de propriedade inimiga encontrada no mar”.

“Esses métodos negam ao inimigo a possibilidade de obter receita econômica com suas exportações e os benefícios das importações que sustentam seu esforço de guerra”, diz o manual.

Para ser legal, a imposição de um bloqueio deve seguir certas regras, incluindo:

  • Deve ser declarado e comunicado, com avisos às embarcações afetadas;
  • Deve ser efetivo, ou seja, os EUA precisam ter navios e aeronaves suficientes para aplicá-lo;
  • Deve ser imparcial, afetando embarcações de qualquer país;
  • Não pode ser direcionado exclusivamente a civis, embora danos colaterais sejam permitidos;
  • Não pode bloquear o acesso a portos neutros nem fechar um estreito como Ormuz, que Trump afirmou permanecer aberto para navegação internacional não relacionada ao Irã.

EUA conseguem fazer isso?

Fechar os portos iranianos — quase todos dentro do estreito de Ormuz — para petroleiros e navios comerciais seria “procedimentalmente difícil, mas viável se os EUA tiverem superioridade marítima”, disse o analista Carl Schuster, ex-capitão da Marinha americana.

E isso pode não ser o caso.

O Irã ainda tem capacidade de reagir com minas, um número desconhecido de pequenas embarcações armadas com mísseis, drones marítimos e aéreos, mísseis de cruzeiro terrestres e sistemas antiaéreos portáteis capazes de atingir helicópteros e caças que protegem os navios, dizem analistas.

Yu Jihoon, pesquisador do Instituto Coreano de Análises de Defesa e ex-oficial de submarino sul-coreano, classificou o bloqueio como “de alto risco”.

“Se o Irã considerar isso uma violação de sua soberania ou uma expansão de fato da guerra marítima, a possibilidade de conflito militar local pode aumentar”, afirmou.

James Stavridis, almirante aposentado da Marinha dos EUA, disse à CNN Internacional que o Pentágono provavelmente precisaria de dois grupos de ataque com porta-aviões e cerca de uma dúzia de navios de superfície fora do Golfo para patrulhar a entrada do estreito de Ormuz.

Dentro do Golfo, seriam necessários ao menos seis destróieres, além do apoio de marinhas aliadas, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

“A ideia é tentar cercar pelos dois lados”, disse.

Schuster explicou que a Marinha dos EUA treina equipes de abordagem com cerca de 10 a 14 pessoas para assumir o controle de navios mercantes. Cada equipe inclui um oficial que atua como capitão após a tomada e conduz a embarcação até um porto para detenção.

Mas tudo isso leva tempo.

Segundo ele, de seis destróieres no estreito, dois seriam usados para abordagens, enquanto os outros quatro dariam cobertura contra reações iranianas.

Esses dois navios poderiam apreender até seis embarcações por dia.

Antes da guerra, cerca de 130 navios atravessavam diariamente o estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo.

O que é o ‘direito de presa’?

Jennifer Parker, especialista do Lowy Institute e ex-oficial da Marinha australiana, disse que a apreensão seletiva de navios é a opção mais provável.

Ela explicou que isso se enquadra no “direito de presa” do direito internacional.

Segundo o Manual de Newport, países em guerra podem capturar navios mercantes inimigos fora de águas neutras e inspecionar embarcações neutras, apreendendo-as se transportarem contrabando.

Esse direito também permite atacar navios neutros se eles contribuírem efetivamente para o esforço militar inimigo.

Assim, em vez de um bloqueio total, o mais provável seria uma interferência seletiva no tráfego marítimo para influenciar rotas, reduzir o controle iraniano e gerar pressão econômica.

Historicamente, bloqueios eram feitos perto da costa, mas tecnologias modernas permitem operações a longa distância, disse o professor Alessio Patalano, do King’s College London.

Também é possível começar as operações mais longe do Irã e se aproximar gradualmente, evitando que o país use imediatamente suas vantagens de curto alcance.

Minas e desminagem

Pouco após o início da guerra, fontes de inteligência disseram que o Irã começou a instalar minas no estreito de Ormuz.

Dois destróieres americanos atravessaram a região no fim de semana, mas Schuster afirmou que provavelmente não estavam fazendo desminagem real, e sim demonstrando que a navegação era possível.

A remoção de minas deve ser feita por drones submarinos, navios especializados e helicópteros.

As minas podem ter vários tipos:

  • Minas de contato, como as vistas em filmes da Segunda Guerra Mundial;
  • Minas de influência, acionadas pela eletricidade estática gerada pelos navios;
  • Minas magnéticas, que reagem à assinatura magnética;
  • Minas acústicas, ativadas por sons;
  • Minas de pressão, que detonam com mudanças na pressão da água.

Algumas combinam vários desses sistemas, tornando-se mais difíceis de neutralizar.

Outras permitem que alguns navios passem antes de explodir, dificultando a identificação completa do campo minado.

As minas são combatidas de duas formas principais: varredura e caça.

Na varredura, cabos que prendem minas ao fundo são cortados, fazendo-as subir à superfície para destruição.

Para minas no fundo do mar, equipamentos simulam sinais de navios para detoná-las com segurança.

Minas mais complexas exigem detecção por sonar ou laser e destruição controlada.

Analistas destacam que a capacidade dos EUA nessa área é limitada.

A Marinha americana desativou no ano passado seus quatro navios especializados em desminagem baseados no Bahrein.

A função passou a três navios de combate litorâneo equipados para isso, mas suas localizações não foram divulgadas.

Diante disso, Washington pode precisar da ajuda de aliados.

“Essa é uma área em que a Marinha dos EUA provavelmente dependerá mais de parceiros do que se imagina”, disse Patalano.

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