Como plano secreto de Israel tentou recrutar Ahmadinejad para liderar um novo Irã
Inteligência israelense estava encontrando o ex-presidente iraniano e custeando suas despesas, segundo investigação
Internacional|Do R7
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Uma matéria publicada pelo The New York Times nesta segunda-feira (13) revelou que Israel passou anos tentando preparar o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para liderar um novo regime pós-islâmico em Teerã. De acordo com a investigação, autoridades vinham se reunindo com Ahmadinejad e cobrindo suas despesas de moradia e viagens. Em uma das ocasiões, os israelenses chegaram a enviar seu principal espião a Budapeste para um encontro.
O plano secreto representa uma “reviravolta extraordinária”, segundo o jornal. Isso porque o ex-presidente do Irã ficou conhecido por acelerar o programa nuclear do país, pedir a destruição de Israel e negar o Holocausto.
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O interesse da inteligência israelense em Ahmadinejad surgiu quando ele se afastou do regime. Após deixar o cargo de presidente em 2013, o político passou a suavizar o discurso anti-Israel, criticar as forças de segurança iranianas pela violência e acusar a classe governante de corrupção.
Em resposta ao discurso populista, autoridades do Irã o impediram repetidamente de concorrer novamente às eleições presidenciais. O ex-presidente, então, passou a se descrever como um reformador que, se voltasse ao poder, reconheceria Israel e normalizaria as relações como parte dos Acordos de Abraão.
“Ahmadinejad não faria isso por dinheiro. Ele tem dinheiro; ele tem uma ampla rede econômica. Ele faria isso pelo poder. Ele quer estar no comando do poder”, disse uma das fontes do NYT.
Diante da nova postura, israelenses, que já acompanhavam o afastamento de Ahmadinejad do regime iraniano, passaram a se encontrar secretamente com o político, além de custear parte de suas despesas. O objetivo era prepará-lo para assumir a liderança do país novamente.
O plano fracassou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã após meses de tensão, matando o então líder supremo, Ali Khamenei. Em meio ao caos em Teerã, um veículo resgatou Ahmadinejad, levando-o para uma casa segura.
A operação visava libertá-lo da vigilância do governo, que já investigava sua relação com Israel, e dar início à implementação do novo governo. No entanto, Ahmadinejad teria se irritado com a missão de resgate “frenética” e ficado desiludido com o plano. Foi então que ele deixou o esconderijo em “circunstâncias misteriosas”.
Desde então, acredita-se que Mahmoud Ahmadinejad esteja em prisão domiciliar sob custódia da Guarda Revolucionária Islâmica. Sua última aparição pública foi durante o cortejo fúnebre de Ali Khamenei, após meses desaparecido. Na ocasião, ele parecia cercado por seguranças e permaneceu com a cabeça baixa.
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