Como a quarentena mudou a rotina dos animais na pandemia de covid, segundo novo estudo
Período foi marcado pelo isolamento social e redução da circulação de pessoas
Internacional|Do R7
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A simples presença humana já é suficiente para transformar o comportamento da vida selvagem — mesmo sem desmatamento, estradas ou grandes intervenções na natureza. Uma pesquisa recente publicada na revista Science mostrou que animais alteraram a maneira como ocupam territórios e exploram recursos durante a pandemia de covid-19, período marcado pelo isolamento social e redução da circulação de pessoas.
De acordo com os cientistas responsáveis pelo estudo, a presença humana afetou cerca de dois terços das espécies analisadas, alterando tanto a extensão das áreas ocupadas pelos animais quanto os ambientes explorados por eles.
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Os efeitos, porém, variaram de acordo com cada espécie e também conforme o ambiente analisado. Em áreas rurais e regiões menos urbanizadas, por exemplo, alces e cervos-mula ampliaram o território ocupado durante os períodos de menor movimentação humana. Já nas cidades, as mudanças observadas foram mais discretas.
Os cientistas também observaram que cada espécie reagiu de maneira própria à redução da atividade humana. Corvos monitorados em Yellowstone, por exemplo, apresentaram comportamentos muito diferentes dos cervos-de-cauda-branca acompanhados em Staten Island, em Nova York.
Como estudo foi realizado
Para analisar essa variação com maior precisão, os cientistas recorreram a dados anônimos de localização de celulares disponibilizados temporariamente por uma empresa especializada em mobilidade humana. As informações permitiram calcular, semana a semana, o número de pessoas presentes em diferentes regiões dos Estados Unidos entre 2019 e 2020.
Ao mesmo tempo, os cientistas acompanharam mais de 4.500 animais que já utilizavam rastreadores em pesquisas anteriores à pandemia. Assim, conseguiram medir as distâncias percorridas e avaliar se os animais passaram a explorar ambientes diferentes.
Além da área ocupada, os pesquisadores investigaram a diversidade de habitats utilizados por cada espécie. Algumas permaneciam em locais muito específicos, enquanto outras passaram a circular por ambientes variados, com diferentes altitudes, temperaturas e níveis de vegetação.
Entre os resultados, muitas espécies — como coiotes e alces — reduziram o tamanho de suas áreas de circulação quando havia maior presença humana, indicando que as pessoas podem limitar o espaço disponível para esses animais. Em áreas preservadas, esse impacto foi ainda mais evidente.
Por outro lado, nem todas as espécies responderam da mesma maneira. Os lobos-cinzentos, por exemplo, passaram a percorrer distâncias maiores em locais com mais atividade humana. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que esses animais estejam ampliando seus deslocamentos para evitar encontros com pessoas.
Os cientistas afirmam que ainda não é possível saber se essas mudanças representam uma adaptação bem-sucedida ou um sinal de pressão sobre as espécies. Mesmo assim, os resultados reforçam a ideia de que estratégias de conservação precisam considerar tanto a transformação dos habitats quanto a presença humana em si.
O estudo também sugere que pequenas restrições temporárias à circulação de pessoas em áreas sensíveis — como durante períodos de reprodução ou migração — podem trazer benefícios importantes para a preservação da fauna.
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