Como um alerta pelo celular detectou o terremoto e avisou milhares de venezuelanos
Sistema do Google enviou notificação para aparelhos na Venezuela sobre um ‘provável tremor com magnitude inicial estimada em 6,2′
Internacional|Do R7
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Dois terremotos de magnitude 7,1 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24). O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o epicentro foi a oeste da comunidade de Morón, localizada na costa caribenha do país, a cerca de 168 quilômetros a oeste de Caracas. Os tremores tiveram uma profundidade de 13 quilômetros. Até o momento, foram registradas ao menos 164 mortes.
Instantes antes do primeiro tremor, milhões de celulares venezuelanos com o sistema operacional Android receberam uma notificação do Google avisando a chegada de um terremoto. A mensagem, enviada às 18h04 (horário local), avisava sobre “um provável tremor com magnitude inicial estimada em aproximadamente 6,2”.
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A empresa de tecnologia utiliza os sensores dos telefones Android para gerar alertas tão rápidos e precisos quanto os dos sistemas oficiais que monitoram redes sismológicas. O sistema utilizado em Caracas é próprio do Google e começou a ser implantado e testado em 2021. Os alertas são enviados sem esperar qualquer comunicação oficial das autoridades.
Trata-se de um sistema automático baseado nos sensores de localização, inclinação e aceleração presentes em todos os celulares. Quando esses sensores detectam uma vibração semelhante a uma onda sísmica, eles enviam automaticamente um sinal.
Por sua vez, caso os servidores do Google recebam um grande número desses sinais indicando possíveis perturbações sísmicas, seus algoritmos conseguem avaliar, em questão de segundos, se há evidências suficientes de um terremoto. A partir daí, o sistema envia alertas para milhões de celulares próximos. O método acaba transformando a rede global de dispositivos Android em um sistema de detecção de terremotos de bolso, complementando os sistemas oficiais de monitoração.
Segundo reportagem do jornal El País, embora os terremotos não possam ser evitados nem previstos com exatidão, é possível reduzir parte de suas consequências por meio de sistemas capazes de detectar rapidamente o início do evento e alertar a população. A incorporação de novas tecnologias, como as redes de celulares utilizadas nesse caso, amplia as possibilidades de monitoramento e alerta.
Limitações do sistema
Apesar de muito avançado, o algoritmo do Google não é infalível. Ainda de acordo com o jornal El País, foram registrados três alertas falsos até o momento. Segundo os pesquisadores, dois foram causados por tempestades e o terceiro ocorreu após o envio massivo de uma notificação que fez vibrar milhares de celulares simultaneamente.
O devastador terremoto que atingiu a Turquia e a Síria em 6 de fevereiro de 2023 também revelou uma das principais limitações do sistema: a magnitude dos tremores foi amplamente subestimada.
Além disso, os smartphones não conseguem detectar terremotos que ocorrem em alto-mar. A sensibilidade limitada de seus sensores restringe a detecção a uma faixa entre 100 e 200 quilômetros da costa. O sistema também perde eficácia em áreas pouco povoadas, onde não há celulares suficientes para fornecer dados precisos e confiáveis para a detecção.
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