Corpo de Thatcher é posto em capela, e debate sobre funeral prossegue
Internacional|Do R7
Por Andrew Osborn
LONDRES, 16 Abr (Reuters) - Um caixão com o corpo da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher foi colocado em uma capela do Parlamento britânico, enquanto prosseguem as polêmicas envolvendo a dimensão do funeral na quarta-feira e a lista de convidados.
Envolto na bandeira britânica, o ataúde percorreu o bairro governamental de Whitehall sobre um carro preto, sob o olhar de turistas e de funcionários do Parlamento, num dia ensolarado.
Quatro homens então ergueram o caixão sobre os ombros e o depositaram na cripta da ampla capela concluída em 1297, durante o reinado de Eduardo 1º.
A conservadora Thatcher, que governou a Grã-Bretanha entre 1979 e 90, morreu em 8 de abril, aos 87 anos, vítima de um derrame.
A segurança no local esteve reforçada, com policiais e prontidão enquanto parlamentares participavam de um serviço religioso reservado. Os filhos de Thatcher, Mark e Carol, também estavam presentes.
O ato foi discreto, ao contrário do funeral cerimonioso previsto para quarta-feira. Vários parlamentares de esquerda disseram que o evento será uma cara peça de propaganda para o Partido Conservador, que atualmente governa o país, mas aparece atrás da oposição trabalhista em pesquisas de popularidade. Estima-se que o funeral irá custar 10 milhões de libras (15 milhões de dólares).
Thatcher foi admirada por muitos, mas desprezada por outros britânicos, e sua morte - ao menos temporariamente - reavivou a divisão "tribal" entre direita e esquerda que caracterizou a política do país na década de 1980. Seus opositores mais aguerridos comemoraram abertamente sua morte, ao passo que seus partidários mais ardorosos a saudaram como a maior ocupante do cargo em tempos de paz.
Há quem reclame que um funeral tão suntuoso seja bancado pelos contribuintes. "Esse é um funeral de Estado, menos no nome, sem o consentimento do Parlamento para as verbas, e sem o consentimento do povo. (Winston) Churchill, que foi o único primeiro-ministro nos últimos cem anos a ter um funeral de Estado, unificou o país, ao passo que Margaret Thatcher o dividiu", disse o deputado trabalhista John Healey ao jornal Guardian.
A lista de convidados também motivou controvérsias. Um porta-voz do primeiro-ministro David Cameron negou que os EUA tenham esnobado a Grã-Bretanha ao não enviar nenhum ocupante atual do alto escalão. O governo do democrata Barack Obama será representado por George Shultz e James Baker, políticos que ocuparam cargos importantes em governos republicanos.
O porta-voz disse também que o embaixador argentino rejeitou o convite, por causa das tensões remanescentes da Guerra das Malvinas (1982).
A cerimônia será transmitida ao vivo pelas principais redes de TV britânicas. O caixão será levado numa carruagem militar pelo centro de Londres até a catedral de Saint Paul, onde mais de 2.000 convidados escutarão os hinos favoritos da falecida e se despedirão dela.











