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Corte egípcia ordena novo julgamento para Mubarak por morte de manifestantes

Internacional|Do R7

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Susana Samhan Cairo, 13 jan (EFE).- O Tribunal de Apelações do Egito anulou neste domingo a sentença contra o ex-presidente Hosni Mubarak, condenado a prisão perpétua pela morte de centenas de manifestantes durante as revoltas populares no país, e determinou a repetição do julgamento, Uma fonte judicial disse à Agência Efe que a corte também resolveu repetir o processo contra o ex-ministro do Interior Habib al Adli e seis de seus ex-assessores por esse mesmo crime. As fontes explicaram que o tribunal aceitou os recursos apresentados por Mubarak e Adli e pela Procuradoria Geral contra a sentença de prisão perpétua por seu envolvimento na morte dos manifestantes. A defesa do ex-presidente sustenta que a corte que emitiu a sentença contra ele em 2 de junho de 2012 não se apoiou em provas suficientes. Já a Procuradoria Geral apelou da decisão, segundo a fonte, por considerar que Mubarak e Adli deveriam ter sido condenados à morte. O novo julgamento será realizado em um tribunal penal e, enquanto isso, os acusados permanecerão em prisão preventiva, exceto dois ex-assistentes de Adli que estão em liberdade, segundo a agência de notícias estatal "Mena". O tribunal de apelações também deu sinal verde hoje ao recurso apresentado pela Procuradoria contra as sentenças que absolveram Mubarak, seus filhos, Alaa e Gamal, e o empresário Hussein Salem (que está em liberdade sob fiança na Espanha) por um suposto crime ligado à exportação de gás a Israel e outro de abuso de poder. Desde o dia 27 de dezembro, Mubarak está internado no Hospital Militar de Maadi devido aos ferimentos que sofreu ao cair no banheiro do centro médico da penitenciária de Tora. No início deste ano, uma comissão de investigação, ordenada pelo presidente egípcio, o islamita Mohammed Mursi, apresentou os resultados de suas pesquisas sobre o assassinato de manifestantes na revolução e mostrou provas de que supostamente Mubarak assistiu pela televisão aos atos violentos. Essa investigação sustenta que o ex-chefe de Estado dispunha de um canal de televisão particular que transmitia os acontecimentos na praça Tahrir, epicentro da revolução. De acordo com a comissão, essa nova prova destacaria que o ex-mandatário teve uma responsabilidade direta no assassinato de centenas de manifestantes - 846, segundo a Procuradoria -, porque foi "testemunha". Em entrevista à Agência Efe, o advogado de Mubarak, Farid al Dib, declarou que ainda não têm preparada uma estratégia de defesa porque vai esperar os detalhes da decisão de hoje. "Primeiro temos que saber os motivos da decisão (do Tribunal de Apelações) para que possamos depois fazer planos", declarou. Por sua vez, um dos advogados de acusação, Assad Heikal, não se mostrou surpreso pela decisão, "especialmente depois que o tribunal anulou recentemente várias sentenças contra membros do antigo regime". "Isto beneficia Mubarak, já que neste momento não pesa nenhuma sentença contra ele e agora ele está em prisão preventiva. Se não o beneficia fisicamente, pelo menos o faz psicologicamente", afirmou Heikal à Efe. Um dos primeiros grupos a reagir à decisão judicial foi o Movimento Jovens de 6 de Abril, um dos instigadores da revolução que derrubou o regime de Mubarak após três décadas no poder. Em comunicado, a organização ressaltou que a admissão dos recursos "obrigará as forças revolucionárias a trabalhar de novo nas praças para atingir os objetivos da revolução, especialmente por ocasião do aniversário de 25 de janeiro", quando se completam dois anos desde o início da revolução contra Mubarak. O movimento advertiu que os grupos opositores devem agir para "evitar uma sentença que anule a revolução e compense Mubarak e seus capangas". Nesse sentido, ele pediu ao presidente Mursi que ordene as instituições do Estado a apresentarem todas as provas e gravações em seu poder sobre o massacre de manifestantes "porque, caso contrário, todas as suas promessas de justiça aos familiares das vítimas terão sido em vão". EFE mf-ssa/id

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