Crime organizado cruza América Latina, e países se unem para buscar formas de derrotá-lo
Nações signatárias planejam medir avanços em 180 dias e apresentar resultados na Assembleia Geral da OEA
Internacional|Cristopher Ulloa, da CNN Internacional
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Chanceleres e altos funcionários da Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru se reuniram nesta quinta-feira (28) em Santiago em uma cúpula de segurança para debater e coordenar novas medidas de luta contra o crime organizado transnacional, a migração irregular e o narcotráfico.
“Isto é um ponto de início para algo que convoca a todos nós. Ao menos podemos dizer que estes cinco países se cansaram de ver como o crime organizado vai matando os nossos jovens, vai submetendo os nossos bairros e subornando vontades”, afirmou o presidente do Chile, José Antonio Kast, que participou de um bloco da reunião de alto nível na capital chilena.
O encontro concluiu com a assinatura do “Compromisso regional de Santiago contra a delinquência organizada transnacional”, o qual busca, entre outros objetivos, estabelecer um plano de ação conjunto para enfrentar o crime organizado.
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“A delinquência organizada se consolidou como uma das principais ameaças à governança, à segurança das pessoas, à estabilidade institucional e ao desenvolvimento dos nossos países. Dada a sua natureza transfronteiriça, os esforços nacionais resultam insuficientes e devem se complementar com maior cooperação política e intercâmbio de informação”, disse o chanceler do Chile, Francisco Pérez Mackenna.
Segundo explicou Pérez Mackenna, os países signatários deste acordo se reunirão em mais 180 dias para medir avanços.
Além disso, apresentarão os resultados na próxima Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) com o fim de convidar mais países do continente americano a se somarem à iniciativa.
O “Compromisso de Santiago” foi assinado pelo chanceler da Argentina, Pablo Quirno; pelo chanceler da Bolívia, Fernando Aramayo; pelo chanceler do Peru, Carlos Pareja; e pela chanceler do Equador, Gabriela Sommerfeld, além das autoridades chilenas.
Este encontro ocorre em meio a questionamentos ao governo de Kast pela falta de um plano concreto de segurança para o Chile, apesar de que isto foi uma de suas principais promessas de campanha, o que desencadeou a saída da ex-ministra de Segurança Pública, Trinidad Steinert, a menos de três meses de iniciado o governo.
Por sua vez, o atual ministro de Segurança do Chile — que também participou desta cúpula —, Martín Arraú, destacou nesta segunda-feira (25) em uma coletiva de imprensa: “O primeiro é que exista uma política nacional de segurança pública. Essa está vigente, foi promulgada pelo presidente Boric, dura seis anos e nós cremos que essa política é suficiente, é ampla, dá espaço para certas políticas, planos, programas que se podem implementar no futuro. Em nossa posição, vamos operar sob essa política que hoje está vigente”.
A nível regional, o crime tem tido um forte impacto nos últimos meses. No Peru, por exemplo, apenas em fevereiro se registraram 196 homicídios, e a insegurança já se vislumbra como um tema decisivo para as próximas eleições presidenciais.
No Equador, anunciaram-se operações conjuntas com os Estados Unidos para desbaratar grupos criminosos designados como terroristas, enquanto a Argentina já assinou acordos similares com Washington.
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