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De animal mais feio do mundo para ‘peixe do ano’: saiba como é o peixe-bolha

Espécie, que tem estrutura “deformada” para sobreviver a mais de mil metros abaixo da superfície, venceu competição nacional da Nova Zelândia

Internacional|Do R7


Antes, ele era considerado o animal mais feio do mundo. Agora, ostenta um título mais prestigioso: o de peixe do ano. Estamos falando do peixe-bolha, que se tornou a espécie marinha mais amada pelo público e pelas organizações de proteção animal.

Habitante das profundezas altamente pressurizadas das costas da Nova Zelândia, Austrália e Tasmânia, o peixe-bolha vive entre 600 e 1.200 metros abaixo da superfície, onde a pressão pode ser até 120 vezes maior que no nível do mar.

Para sobreviver a esse ambiente extremo, ele desenvolveu uma anatomia única. Sem bexiga natatória, esqueleto completo, músculos ou escamas, seu corpo é composto por um tecido gelatinoso com densidade menor que a da água.


Recentemente, esse animal venceu uma competição organizada desde 2020 pela Mountains to Sea Conservation Trust, uma instituição da Nova Zelândia que se dedica à proteção e à conservação da vida marinha.


Este ano, o peixe-bolha venceu o título de “peixe do ano” ao conquistar 1.286 dos 5.583 votos -- superando até mesmo o peixe-laranja, segundo colocado e campeão da última edição, no ano passado.

Fama e vulnerabilidade

O peixe-bolha ficou famoso há mais de uma década, quando uma foto tirada por um tripulante de um navio de pesquisa neozelandês viralizou na internet, transformando-o em um ícone entre os memes da época.


Sob a pressão das profundezas do oceano, o corpo desse peixe mantém um formato bulboso, Ocorre que, ao ser trazido à superfície, a descompressão repentina o deixa desfigurado, uma figura que se parece com um “um experimento médico fracassado”, disse Konrad Kurta, porta-voz do instituto de conservação, ao The Guardian.

“Ele meio que fica ali, sentado, e espera que a presa chegue bem perto, quase entrando em sua boca antes de comê-la”, disse Kurta. Crustáceos, moluscos e ouriços-do-mar estão entre os alimentos que o peixe-bolha consome com essa estratégia passiva. Estima-se que a espécie possa viver até 130 anos, com crescimento e movimentação extremamente lentos.


Além de sua aparência singular, o peixe-bolha também é um “pai dedicado”. As fêmeas depositam até 100 mil ovos em ninhos geralmente localizados em áreas rochosas de plataformas oceânicas profundas, onde a água é mais quente. Após a postura, os machos vigiam os ovos até a eclosão.


Apesar da popularidade, pouco se sabe sobre o estado de conservação do peixe-bolha devido à escassez de estudos. Sua população e habitat, no entanto, são considerados vulneráveis à pesca de arrasto em alto mar, prática comum na captura do peixe-laranja.

Os peixes-bolha são frequentemente pescados acidentalmente com arrasto de fundo, segundo Kurta. A Nova Zelândia, responsável por cerca de 80% da captura global de peixe-laranja, enfrenta críticas de organizações ambientais, que pedem a interrupção dessa prática por seus impactos devastadores nos ecossistemas marinhos.

A competição de “peixe do ano” procura destacar a diversidade dos peixes nativos da Nova Zelândia, cerca de 85% dos quais são considerados vulneráveis atualmente.

Neste ano, além do peixe-bolha e do peixe-laranja, participaram espécies como a enguia de barbatana longa, o cavalo-cachimbo pigmeu e o peixe-lama, este último criticamente ameaçado de extinção.

“Temos uma variedade estonteante de peixes marinhos e de água doce”, disse Kurta. “O simples fato de as pessoas saberem que eles existem é o primeiro passo para engajá-las na conservação do que acontece abaixo da linha d’água.”

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