Destruição de aeronave dos EUA pode prejudicar a detecção de ameaças do Irã, dizem analistas
Avião E-3 Sentry da Força Aérea americana foi atacado em uma base aérea na Arábia Saudita
Internacional|Brad Lendon, Isaac Yee eThomas Bordeaux, da CNN Internacional
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
A destruição de um avião E-3 Sentry da Força Aérea dos Estados Unidos em um ataque iraniano a uma base aérea na Arábia Saudita pode comprometer a capacidade americana de identificar ameaças iranianas a longa distância, afirmam analistas.
Imagens impactantes da aeronave destruída, geolocalizadas pela CNN Internacional, mostram a cauda quebrada e o característico radar giratório — parte essencial do Sistema de Alerta e Controle Aéreo (AWACS, na sigla em inglês) — no chão da Base Aérea Prince Sultan.
A perda do AWACS é “um golpe sério às capacidades de vigilância (dos EUA)”, disse o analista militar Cedric Leighton, ex-coronel da Força Aérea americana que já voou na aeronave.
LEIA MAIS
“Isso pode impactar a capacidade [dos EUA] de controlar aeronaves de combate, direcioná-las aos seus alvos ou protegê-las contra engajamentos de aeronaves hostis e sistemas de mísseis”, afirmou.
A CNN Internacional entrou em contato com o Comando Central dos EUA para comentar a destruição da aeronave.
O AWACS permite monitorar até cerca de 310 mil quilômetros quadrados de espaço de batalha, do solo à estratosfera, sendo um componente vital das forças militares dos EUA há décadas.
A frota de 17 aeronaves E-3, somada à experiência americana no seu uso, é considerada por analistas uma grande vantagem estratégica de Washington.
Imagens do avião destruído começaram a circular nas redes sociais no fim de semana. A CNN Internacional confirmou a localização ao comparar as fotos com uma imagem de satélite de 11 de março, que mostrava um E-3 no mesmo local.
A emissora já havia noticiado que o ataque à base deixou ao menos 10 militares americanos feridos. Não houve mortes. Um avião-tanque da Força Aérea dos EUA também foi danificado, segundo fontes.
O E-3 funciona como um poderoso posto de comando aéreo, além de plataforma de vigilância.
Ele pode rastrear cerca de 600 alvos ao mesmo tempo — de outras aeronaves a mísseis, grandes drones e até tanques no campo de batalha.
Os tripulantes do E-3 podem transmitir essas informações em tempo real para comandantes no teatro de operações, navios no mar ou diretamente ao Pentágono.
Enquanto isso, controladores a bordo do AWACS podem orientar caças interceptadores contra ameaças ou enviar aeronaves de ataque para apoiar tropas em combate.
Um relatório deste mês do Center for a New American Security descreve o AWACS como o “quarterback” do campo de batalha, fornecendo consciência situacional crítica e coordenação em tempo real, transformando missões individuais em uma força dominante.
O documento classifica o AWACS como “um ativo indispensável para as operações militares dos EUA hoje e no futuro previsível”.
Peter Layton, ex-oficial da Força Aérea Real Australiana e pesquisador do Griffith Asia Institute, afirmou que radares aerotransportados ampliam exponencialmente o tempo de detecção de ameaças.
No atual conflito, um E-3 poderia identificar um drone iraniano Shahed lançado a cerca de 320 quilômetros de distância até 85 minutos antes de radares terrestres, segundo ele.
Por serem móveis, os AWACS podem se deslocar rapidamente para novas áreas de crise e são alvos mais difíceis do que radares fixos em solo.
Aeronave foi pega de surpresa e ficou vulnerável
Analistas questionaram como os EUA permitiram que o E-3 ficasse vulnerável a um ataque iraniano.
“Medidas extraordinárias geralmente são adotadas para protegê-lo de fogo inimigo durante o voo. Às vezes, ele recebe escolta de caças e nunca sobrevoa território hostil para se manter seguro”, disse Leighton.
Ele classificou a perda do E-3 em solo como “uma grave falha nos esforços de proteção de forças”.
Leighton também afirmou que o ataque pode indicar que o Irã recebeu ajuda para localizar ativos estratégicos dos EUA.
“A Rússia provavelmente forneceu coordenadas geográficas e imagens de satélite que indicaram a localização exata”, disse.
O ataque mostra como o Irã tem sido seletivo ao atingir alvos de alto valor com os recursos disponíveis, avaliou Kelly Grieco, pesquisadora do Stimson Center, em publicação no X.
Ela citou ataques a sistemas de radar e comunicações via satélite em outras bases americanas na região desde o início do conflito.
“O Irã está mirando radares que detectam ameaças, aviões-tanque que mantêm caças no ar e os AWACS que comandam a batalha. Isso é uma campanha de superioridade aérea — adaptada ao que o Irã consegue fazer. E os danos são reais”, escreveu.
Um ativo envelhecido
Analistas também destacaram o tamanho e a idade da frota de E-3 dos EUA, além da pressão causada pelas operações no Oriente Médio.
A frota americana conta com apenas 17 aeronaves E-3, número inferior ao de bombardeiros B-2 (20), segundo o diretório World Air Forces 2026, da FlightGlobal.
Além disso, são aviões antigos: o primeiro entrou em operação em 1978, e a frota já chegou a 32 unidades em 2015.
Baseados na estrutura do Boeing 707, esses jatos de quatro motores transportam uma tripulação de quatro pessoas, além de 13 a 19 especialistas de missão, número que varia conforme a operação.
Segundo a Força Aérea, cada aeronave custava cerca de US$ 270 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão na cotação atual) em valores de 1998 — aproximadamente US$ 540 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões na cotação atual) em valores atuais.
Além dos EUA, Arábia Saudita, França e Chile operam o E-3, enquanto a Otan mantém uma força conjunta com 14 aeronaves.
A Força Aérea americana busca substitutos para a frota envelhecida, mas o Pentágono ainda não definiu qual plataforma será adotada, embora alguns protótipos estejam em desenvolvimento.
A Marinha dos EUA opera uma aeronave semelhante, porém menor, o E-2 Hawkeye, que pode decolar de porta-aviões e monitorar áreas de combate de grupos navais.
No entanto, o Hawkeye não substitui facilmente o Sentry. Por ser menor, tem menos tripulantes para monitoramento e, por usar hélices em vez de motores a jato, não atinge a mesma altitude, reduzindo o alcance de seu radar.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp











