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Destruição de aeronave dos EUA pode prejudicar a detecção de ameaças do Irã, dizem analistas

Avião E-3 Sentry da Força Aérea americana foi atacado em uma base aérea na Arábia Saudita

Internacional|Brad Lendon, Isaac Yee eThomas Bordeaux, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A destruição de um E-3 Sentry dos EUA em um ataque iraniano pode comprometer a detecção de ameaças do Irã a longa distância.
  • Analistas classificam a perda da aeronave como um golpe sério às capacidades de vigilância dos EUA, impactando o controle de combate e a proteção de aeronaves.
  • A aeronave, essencial para monitoramento de 310 mil km², é vista como um ativo indispensável nas operações militares americanas.
  • Questiona-se como o E-3 foi exposto a ataques, e analistas sugerem que o Irã pode ter recebido ajuda externa para localizar ativos americanos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

destroços de uma aeronave de alerta aéreo antecipado e controle E-3 Sentry da Força Aérea dos EUA estão na pista de uma base aérea na Arábia Saudita.
AWACS permite monitorar até cerca de 310 mil quilômetros quadrados de espaço de batalha Força Aérea amn/nco/snco/Facebook via CNN Internacinal

A destruição de um avião E-3 Sentry da Força Aérea dos Estados Unidos em um ataque iraniano a uma base aérea na Arábia Saudita pode comprometer a capacidade americana de identificar ameaças iranianas a longa distância, afirmam analistas.

Imagens impactantes da aeronave destruída, geolocalizadas pela CNN Internacional, mostram a cauda quebrada e o característico radar giratório — parte essencial do Sistema de Alerta e Controle Aéreo (AWACS, na sigla em inglês) — no chão da Base Aérea Prince Sultan.


A perda do AWACS é “um golpe sério às capacidades de vigilância (dos EUA)”, disse o analista militar Cedric Leighton, ex-coronel da Força Aérea americana que já voou na aeronave.

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“Isso pode impactar a capacidade [dos EUA] de controlar aeronaves de combate, direcioná-las aos seus alvos ou protegê-las contra engajamentos de aeronaves hostis e sistemas de mísseis”, afirmou.


A CNN Internacional entrou em contato com o Comando Central dos EUA para comentar a destruição da aeronave.

O AWACS permite monitorar até cerca de 310 mil quilômetros quadrados de espaço de batalha, do solo à estratosfera, sendo um componente vital das forças militares dos EUA há décadas.


A frota de 17 aeronaves E-3, somada à experiência americana no seu uso, é considerada por analistas uma grande vantagem estratégica de Washington.

Imagens do avião destruído começaram a circular nas redes sociais no fim de semana. A CNN Internacional confirmou a localização ao comparar as fotos com uma imagem de satélite de 11 de março, que mostrava um E-3 no mesmo local.


A emissora já havia noticiado que o ataque à base deixou ao menos 10 militares americanos feridos. Não houve mortes. Um avião-tanque da Força Aérea dos EUA também foi danificado, segundo fontes.

O E-3 funciona como um poderoso posto de comando aéreo, além de plataforma de vigilância.

Ele pode rastrear cerca de 600 alvos ao mesmo tempo — de outras aeronaves a mísseis, grandes drones e até tanques no campo de batalha.

Os tripulantes do E-3 podem transmitir essas informações em tempo real para comandantes no teatro de operações, navios no mar ou diretamente ao Pentágono.

Enquanto isso, controladores a bordo do AWACS podem orientar caças interceptadores contra ameaças ou enviar aeronaves de ataque para apoiar tropas em combate.

Um relatório deste mês do Center for a New American Security descreve o AWACS como o “quarterback” do campo de batalha, fornecendo consciência situacional crítica e coordenação em tempo real, transformando missões individuais em uma força dominante.

O documento classifica o AWACS como “um ativo indispensável para as operações militares dos EUA hoje e no futuro previsível”.

Peter Layton, ex-oficial da Força Aérea Real Australiana e pesquisador do Griffith Asia Institute, afirmou que radares aerotransportados ampliam exponencialmente o tempo de detecção de ameaças.

No atual conflito, um E-3 poderia identificar um drone iraniano Shahed lançado a cerca de 320 quilômetros de distância até 85 minutos antes de radares terrestres, segundo ele.

Por serem móveis, os AWACS podem se deslocar rapidamente para novas áreas de crise e são alvos mais difíceis do que radares fixos em solo.

Aeronave foi pega de surpresa e ficou vulnerável

Analistas questionaram como os EUA permitiram que o E-3 ficasse vulnerável a um ataque iraniano.

“Medidas extraordinárias geralmente são adotadas para protegê-lo de fogo inimigo durante o voo. Às vezes, ele recebe escolta de caças e nunca sobrevoa território hostil para se manter seguro”, disse Leighton.

Ele classificou a perda do E-3 em solo como “uma grave falha nos esforços de proteção de forças”.

Leighton também afirmou que o ataque pode indicar que o Irã recebeu ajuda para localizar ativos estratégicos dos EUA.

“A Rússia provavelmente forneceu coordenadas geográficas e imagens de satélite que indicaram a localização exata”, disse.

O ataque mostra como o Irã tem sido seletivo ao atingir alvos de alto valor com os recursos disponíveis, avaliou Kelly Grieco, pesquisadora do Stimson Center, em publicação no X.

Ela citou ataques a sistemas de radar e comunicações via satélite em outras bases americanas na região desde o início do conflito.

“O Irã está mirando radares que detectam ameaças, aviões-tanque que mantêm caças no ar e os AWACS que comandam a batalha. Isso é uma campanha de superioridade aérea — adaptada ao que o Irã consegue fazer. E os danos são reais”, escreveu.

Um ativo envelhecido

Analistas também destacaram o tamanho e a idade da frota de E-3 dos EUA, além da pressão causada pelas operações no Oriente Médio.

A frota americana conta com apenas 17 aeronaves E-3, número inferior ao de bombardeiros B-2 (20), segundo o diretório World Air Forces 2026, da FlightGlobal.

Além disso, são aviões antigos: o primeiro entrou em operação em 1978, e a frota já chegou a 32 unidades em 2015.

Baseados na estrutura do Boeing 707, esses jatos de quatro motores transportam uma tripulação de quatro pessoas, além de 13 a 19 especialistas de missão, número que varia conforme a operação.

Segundo a Força Aérea, cada aeronave custava cerca de US$ 270 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão na cotação atual) em valores de 1998 — aproximadamente US$ 540 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões na cotação atual) em valores atuais.

Além dos EUA, Arábia Saudita, França e Chile operam o E-3, enquanto a Otan mantém uma força conjunta com 14 aeronaves.

A Força Aérea americana busca substitutos para a frota envelhecida, mas o Pentágono ainda não definiu qual plataforma será adotada, embora alguns protótipos estejam em desenvolvimento.

A Marinha dos EUA opera uma aeronave semelhante, porém menor, o E-2 Hawkeye, que pode decolar de porta-aviões e monitorar áreas de combate de grupos navais.

No entanto, o Hawkeye não substitui facilmente o Sentry. Por ser menor, tem menos tripulantes para monitoramento e, por usar hélices em vez de motores a jato, não atinge a mesma altitude, reduzindo o alcance de seu radar.

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