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Discurso venenoso da Coreia do Norte revela autoritarismo do país e engana população

Declarações e textos divulgados pelo governo norte-coreano mantêm postura radical da Guerra Fria

Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

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Kim Jong-un sempre tenta mostrar que está de olho no inimigo
Kim Jong-un sempre tenta mostrar que está de olho no inimigo

A ditadura da Coreia do Norte vem dominando os noticiários internacionais ao longo das últimas semanas graças à sua ameaça de guerra contra americanos, japoneses e sul-coreanos. Neste período, os textos, discursos e imagens divulgados pela agência estatal norte-coreana de notícias (KCNA) são fundamentais na estratégia belicosa do regime comunista que deste modo ataca energicamente os chamados inimigos da nação. 

O país comunista não poupa palavras de efeito para fazer valer sua prepotente atuação.Tais manifestações de animosidade se destacam por relembrar a tensão mundial vivida na Guerra Fria. Em alguns momentos, essa mobilização midiática parece ficção como nas aventuras de James Bond.


Muitos jovens só conhecem o embate entre comunistas e capitalistas da Guerra Fria por meio de filmes e livros, assim eles são incapazes de situar historicamente a origem desta investida norte-coreana nos meios de comunicação. Consequentemente, é difícil perceber o poder das palavras e imagens na construção de qualquer sociedade.

Os textos divulgados constantemente pela KCNA reproduzem uma lógica antiquada de dominação estatal e se caracterizam por utilizar propositalmente jargões radicais e dogmáticos. Com isso, o governo norte-coreano promove um ambiente nacional favorável às suas decisões arbitrárias.


Por exemplo, na Coreia do Norte, Kim Jong-un, herdeiro do poder no país, é sempre referido como o "líder supremo", o que confere ao ditador uma condição extraordinária perante aos demais cidadãos. Os sul-coreanos, por sua vez, invariavelmente são descritos como "fantoches" manipulados pelos americanos. Já estes últimos representam o temido "império do mal" nos textos e discursos divulgados pela KCNA.

Seguindo essa mesma lógica, a suposta bomba atômica desenvolvida pelos norte-coreanos ganha o status de "preciosa espada" em "defesa da dignidade" e "magnanimidade" do país contra os "agressores imperialistas" dos EUA e os "traidores" sul-coreanos.


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Este minucioso capricho dedicado às intervenções públicas — aqui exemplificado pelas palavras — tem como objetivo forjar uma realidade persecutória e completamente dividida entre o bem e o mal.

Este modelo prega a existência de apenas dois contextos simultaneamente antagônicos e competidores entre si. Com isso, não só é preciso escolher um dos lados: aqueles que divergem do padrão governamental são imediatamente encarados como agentes do inimigo. Assim, a ditadura do país garante um estado constante de guerra contra um adversário supostamente mortal e mal-intencionado.

Monopólio da informação

O controle psicótico do Estado norte-coreano impede que seus cidadãos tenham acesso às fontes independentes de conhecimento, facilitando a imposição ideológica. Por isso, aos que veem de fora a ditadura do país parece uma grande enganação, mas para os locais esta realidade é recebida como a única verdade plausível.

Neste sentido, a massiva presença de imagens dos três líderes comunistas (o atual ditador, além de seu pai e avô) é uma regra em todo o país durante os últimos 60 anos e também funciona como ferramenta da dominação estatal.

Consequentemente, os meios de comunicação, os aparatos de educação, a expressão cultural e todas as demais instituições na Coreia do Norte são reprodutores desta manipulação, deixando pouco espaço para o livre-arbítrio individual.

A mesma impiedosa vigilância governamental aplicada aos norte-coreanos comuns ainda impede que o mundo exterior entenda a realidade do país. Assim, apenas a elite dominante da Coreia do Norte conhece os dois lados da moeda. São exatamente estes poderosos locais que determinam quem sabe o quê, como e quando.

Para sustentar este muro de escuridão, não basta monopolizar e controlar as informações. Acima de tudo, é preciso moldar valores e padrões morais. Esta é a função do capricho empregado pelas autoridades norte-coreanas na escolha das palavras e imagens divulgadas.

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