Drama de refugiados desafia a Europa e choca o mundo após imagem de menino morto
Número recorde de pessoas cruzou mares, em travessias perigosas e condições desumanas
Internacional|Do R7

Um afluxo sem precedentes de refugiados e imigrantes colocou a Europa sob pressão em 2015. Até novembro, mais de 800 mil pessoas cruzaram o Mar Mediterrâneo rumo à Grécia e Itália, na costa europeia, em busca de melhores condições de vida. É um número recorde de pessoas que se movimentaram pela Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Os números, revelados pela OIM (Organização Internacional de Migrações), foram quatro vezes maiores do que o registrado em 2014. As imagens do corpo do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, morto numa praia da Turquia, se tornaram símbolo da crise migratória e despertaram o mundo para o drama dos refugiados.
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O corpo de Aylan apareceu no dia 2 de setembro na praia de Bodrum, depois que duas embarcações com imigrantes naufragaram. Entre os mortos também estavam Rehan e Galip, de 5 anos - mãe e irmão de Aylan. De acordo com a OIM, nessas tentativas, mais de 3.455 de imigrantes morreram. Os refugiados vieram em sua maioria de países do norte da África e da Ásia, como Eritréia, Afeganistão e Síria, fugindo de conflitos e da miséria.
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A situação se tornou um desafio para o continente europeu. Os países da União Europeia, apesar de algumas pressões da Alemanha, que acolheu o maior número de refugiados, não conseguiram chegar a um consenso sobre como eles seriam distribuídos.
Enquanto os debates prosseguiam, aglomerações de milhares de refugiados ocorriam no leste europeu, que servia de passagem em direção a países como Alemanha e Suécia. O fluxo causou rejeição em nações como Hungria e Áustria. A Hungria começou a construir uma barreira de 175 km para bloquear a entrada de imigrantes.

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As condições desumanas a que muitas vezes os refugiados foram submetidos também chamou a atenção dos defensores dos direitos humanos. Casos de tráfico humano, xenofobia e abuso de crianças, principalmente as desacompanhadas, foram denunciados em grande número.
A União Europeia, que definiu por uma ajuda de R$ 4,5 bilhões, busca reforçar a patrulha marítima no Mediterrâneo e desbaratar as redes de tráfico de pessoas. Já as instituições ligadas aos direitos dos refugiados, reforçam a necessidade do acolhimento digno àqueles que ingressam nos países.
Brasil elogiado
A política do governo brasileiro durante tal crise foi elogiada por representantes da Acnur (Agência da ONU para refugiados). Dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), ligado ao Ministério da Justiça, mostram que a chegada de refugiados ao Brasil vem aumentando, desde 2011.
O país abriga 7.289 refugiados de 81 nacionalidades diferentes. Em relação à crise no Oriente Médio, o Conare informa que, desde 2011, 2.077 sírios foram acolhidos pelo Brasil com o status de refugiado.
O número supera o de vários países no sul da Europa que estão na rota de refugiados e imigrantes. Além da Síria, o Brasil recebeu refugiados de países como Colômbia, Angola e República Democrática do Congo.
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