Em sua visita aos EUA, líder iraquiano pedirá a Obama armas contra Al Qaeda
Internacional|Do R7
Shaalan Jabouri. Bagdá, 31 out (EFE).- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que nesta sexta-feira se reunirá com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pedirá à Administração americana que forneça aviões e armas sofisticadas para combater a rede terrorista Al Qaeda. Uma fonte iraquiana próxima ao governo, citada pela imprensa local, revelou que Maliki solicitará na reunião com Obama a entrega de aviões não tripulados (drones) e caças de combate F-16 para vigiar a fronteira entre o Iraque e a Síria. Segundo a fonte, o objetivo é "limitar os atos violentos que os combatentes da Al Qaeda lançaram de maneira crescente e sem precedentes desde abril passado". O primeiro-ministro abordará também em suas reuniões em Washington a reativação do acordo misto de defesa assinado entre os dois países no final de 2008, com o intuito de fazer frente aos grupos terroristas que começaram a entrar no Iraque em virtude do conflito na vizinha Síria. Segundo o conselheiro do primeiro-ministro, Ali al-Musawi, o chefe do governo iraquiano pedirá aos EUA para acelerar a entrega de aviões F-16, tanques Abrams, blindados e aparelhos eletrônicos sofisticados para vigiar a fronteira com a Síria. "Além disso, instará uma maior cooperação da inteligência para combater os terroristas e impedir que seus grupos se infiltrem em território iraquiano, já que o exército do Iraque não conta com cobertura aérea para combater", ressaltou. Em declarações divulgadas nesta quinta-feira pelo jornal local "Al Dustur", Musawi afirmou que pressionará Obama para conseguir resolver o conflito sírio através de vias diplomáticas. O primeiro-ministro iraquiano ficará nos EUA por cinco dias, acompanhado de uma delegação com o ministro das Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, e o de Defesa, Saadun al Delimi. O analista político Ibrahim al Jabouri sustentou, em declarações à Agência Efe, que Nouri al-Maliki tratará com Obama da grave situação na região gerada pelo conflito sírio e seus efeitos negativos sobre a segurança no Iraque. De acordo com ele, a violência aumentou depois que duas ramificações da Al Qaeda (uma iraquiana e uma síria) se fundiram no denominado "Estado Islâmico do Iraque e do Levante Sírio", que perpetrou ataques também na região autônoma do Curdistão iraquiano, até agora à margem do terrorismo jihadista. O analista assegurou que Maliki se oferecerá para ajudar a melhorar os laços entre os EUA e o Irã, já que mantém boas relações com os dois países. No entanto, criticou o desejo do primeiro-ministro de conseguir aviões, tanques e armas sofisticadas de muito alto preço. "Necessitamos de materiais para detecção de explosivos para evitar o derramamento de sangue iraquiano, e não aviões e tanques. Tudo o que queremos é o fim das mortes causadas pelos atentados com explosivos", concluiu. Em uma linha similar, a organização Human Rights Watch (HRW) pediu publicamente que as ajudas em matéria de segurança ao estado iraquiano não prejudiquem os direitos humanos no país. "O Iraque sofreu ataques terroristas que matam números recorde de civis, mas a aplicação da tortura e da pena de morte em sentenças injustas piora ainda mais o assunto", disse em comunicado o subdiretor para o Oriente Médio da HRW, Joe Stork. Nesse sentido, ressaltou a necessidade de que Obama envie uma "mensagem inequívoca" ao primeiro-ministro iraquiano de que os EUA não aprovam violações dos direitos humanos, e que as ajudas "não serão possíveis enquanto prossigam as detenções arbitrárias e as torturas de personalidades sectárias". Finalmente, embora não faça parte da agenda oficial, fontes parlamentares afirmaram à Efe sua confiança em que se aborde a reconciliação entre as forças políticas iraquianas, especialmente com uma nova lei eleitoral que seja aceita pela minoria curda. EFE sy/cdr-rsd











