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ENTREVISTA-Agência da ONU não vê grande mudança em atividade nuclear do Irã

Internacional|Do R7

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Por Fredrik Dahl

VIENA, 13 Nov (Reuters) - O diretor da agência nuclear da ONU, Yukiya Amano, disse nesta quarta-feira não ter visto "nenhuma mudança radical" no programa nuclear iraniano nos últimos três meses, período que cobre a maior parte do tempo desde a posse do presidente relativamente moderado Hassan Rouhani.


Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse à Reuters que a República Islâmica manteve a atividade nuclear mais sensível, o enriquecimento de urânio a 20 por cento de concentração físsil.

Os comentários de Amano sugerem ainda que, entre agosto e novembro, o Irã também expandiu fortemente a atividade de enriquecimento de urânio, que o governo iraniano diz ter finalidade pacífica, mas que países ocidentais temem que seja usado para a fabricação de armas nucleares.


Além disso, Amano afirmou que o Irã ainda "tem muito a fazer" para concluir o reator de pesquisas de Arak, uma usina que é uma das maiores preocupações de países ocidentais pois poderá produzir plutônio --um outro combustível de potencial uso em bombas--, assim que estiver em operação.

Está previsto que a AIEA divulgue ainda esta semana seu relatório trimestral sobre o Irã, um documento avaliado de perto por governos ocidentais. Será o primeiro que trata somente dos desdobramentos após a posse de Rouhani.


"Posso dizer que atividades de enriquecimento estão em andamento... nenhuma mudança radical me foi informada", disse Amano, um veterano diplomata japonês, em entrevista em seu gabinete na sede da AIEA, em Viena.

Amano concedeu a entrevista dois dias depois de o Irã ter concordado em dar acesso a inspetores da AIEA a duas instalações relacionadas a atividades nucleares, como parte de um acordo de cooperação com o objetivo de reduzir as preocupações sobre o programa nuclear do país.


Amano afirmou que o acordo foi um passo importante na direção do esclarecimento de questões pendentes entre a agência da ONU e o Irã, incluindo suspeitas de que o país esteja realizando pesquisas sobre bomba atômica -- o que o governo iraniano nega.

O Irã nega as acusações ocidentais de que está buscando adquirir a capacidade de fabricar armas nucleares. Mas vem se recusando até o momento a conter seu programa e não é plenamente transparente com os inspetores antiproliferação nuclear da ONU, o que resultou na imposição de duras sanções ao país.

O pragmático Rouhani sucedeu o linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, em agosto, prometendo tentar resolver a disputa nuclear de uma década e conseguir o alívio nas sanções que vêm afetando duramente a economia iraniana.

ENRIQUECIMENTO DE URÂNIO

O Irã e seis potências mundiais (Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, França, Rússia e Alemanha) quase chegaram a um acordo preliminar durante negociações no fim de semana e decidiram se reunir novamente no dia 20 de novembro.

As potências querem que o Irã interrompa a atividade nuclear mais sensível como parte de um acordo de construção de confiança que permitiria ganhar tempo para um pacto diplomático mais abrangente.

No mês passado, um influente parlamentar iraniano disse que o país havia suspendido o enriquecimento a 20 por cento, um passo que atenderia a uma das principais demandas das potências, mas posteriormente um outro político negou essa informações.

O enriquecimento a 20 por cento causa controvérsia já que é um passo a relativamente pouca distância, em termos técnicos, de elevar o enriquecimento até os 90 por cento requeridos para uma ogiva nuclear. O Irã diz que precisa dos 20 por cento para alimentar um reator de pesquisa médica em Teerã.

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