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Especialista americano em testes nucleares está detido na China há mais de 18 meses

Donald Trump pediu a libertação de Youlin Chen durante uma reunião com Xi Jinping, em maio

Internacional|Mike Valerio e Simone McCarthy, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O sismólogo americano Youlin Chen está detido na China há mais de 18 meses, acusado de espionagem, segundo apoiadores e o senador americano Edward Markey.
  • Chen é considerado "detido injustamente" pelos Estados Unidos, sendo o único cidadão americano com essa classificação oficial na China.
  • O caso de Chen está gerando tensões diplomáticas entre EUA e China, com o presidente Donald Trump pedindo sua liberação ao líder chinês Xi Jinping.
  • A Global Reach suspeita que a detenção de Chen esteja ligada à expansão das capacidades nucleares da China, incluindo um suposto teste nuclear subterrâneo em 2020.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Esposa de Chen, Yufang Rong, afirmou que não fala com o marido há mais de 600 dias Dr. Yufang Rong/Handout via Reuters

Um cientista americano que estuda testes nucleares subterrâneos está detido na China há mais de 18 meses, acusado de espionagem, segundo apoiadores e um senador dos Estados Unidos.

O sismólogo Youlin Chen está “detido injustamente” desde novembro de 2024, afirmou o senador americano Edward Markey em comunicado divulgado nesta terça-feira (14).


O presidente Donald Trump abordou a detenção de Chen e pediu sua libertação durante uma reunião com o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, em maio, de acordo com a organização americana sem fins lucrativos Global Reach, que acompanha o caso junto à família do cientista.

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Chen, que morava em Boston e tem um filho em idade universitária, é o único cidadão americano atualmente preso na China oficialmente classificado pelos Estados Unidos como “detido injustamente”, informou a organização.


Ponto de tensão

O caso representa mais um ponto de tensão nas relações entre Estados Unidos e China, que tentam estabilizar os laços diplomáticos, às vésperas da esperada visita de Xi aos EUA no segundo semestre deste ano.

A divulgação do caso ocorre poucas semanas após a China confirmar a prisão de outro pesquisador americano, Min Zin, acusado de “espionagem e de colocar em risco a segurança nacional chinesa”.


A Global Reach afirma haver suspeitas de que a detenção de Chen esteja relacionada à recente expansão das capacidades nucleares da China, incluindo um suposto teste nuclear subterrâneo realizado em 2020, cuja realização é negada por Pequim.

China e Estados Unidos assinaram, mas ainda não ratificaram, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT, na sigla em inglês), acordo internacional que proíbe “qualquer explosão de teste de arma nuclear ou qualquer outra explosão nuclear”.


O trabalho de Chen é voltado ao uso de dados sismológicos para aprimorar métodos de identificação e monitoramento de testes nucleares. Suas pesquisas incluem estudos sobre os testes nucleares subterrâneos da Coreia do Norte.

Os estudos do cientista receberam financiamento do Departamento de Estado dos EUA e do Laboratório de Pesquisa da Força Aérea americana.

Em dezembro de 2020, Chen foi autor de um relatório técnico que utilizou dados sísmicos coletados em diversas regiões da Ásia, incluindo estações localizadas na China, para aperfeiçoar métodos de monitoramento de testes nucleares e estimativa da potência das explosões, segundo a Global Reach.

Outro estudo, publicado em 2024 e também financiado pelo Laboratório de Pesquisa da Força Aérea e pelo Departamento de Estado dos EUA, reforça a especialização de Chen em monitoramento sísmico e detecção de testes nucleares subterrâneos, informou a organização.

Detido no aeroporto

Segundo Kieran Ramsey, diretor de investigações da Global Reach, Chen foi detido no aeroporto após visitar os pais em Pequim.

“A China está sendo acusada pelo Departamento de Estado de violar o tratado de proibição de testes nucleares”, afirmou Ramsey. “Ao mesmo tempo, mantém preso justamente o especialista americano que poderia identificar esse tipo de atividade.”

Ele acrescentou que o caso é um exemplo do uso da chamada “diplomacia dos reféns” por parte da China na disputa estratégica com os Estados Unidos e destacou que Chen é atualmente o único americano oficialmente classificado pelo governo americano nessa condição.

No início deste mês, um pastor fundador de uma das mais conhecidas igrejas clandestinas da China foi libertado da prisão e reencontrou a família nos Estados Unidos após ter sido preso durante uma operação de repressão no ano passado. Sua libertação ocorreu depois que Trump também levou o caso a Xi durante o encontro de maio.

Um porta-voz do Departamento de Estado informou à CNN Internacional que os Estados Unidos levantaram diretamente o caso de Chen com autoridades chinesas e pediram sua libertação imediata.

Questionada pela CNN Internacional sobre se Trump tratou do caso durante a reunião com Xi, a Casa Branca respondeu apenas que “o presidente Trump deixou claro que deseja que todos os americanos detidos no exterior retornem para casa”.

O Ministério das Relações Exteriores da China negou nesta terça-feira que Chen tenha sido “detido injustamente” e afirmou que as autoridades judiciais tratam os casos de acordo com a legislação chinesa.

Chen foi formalmente acusado de espionagem em 1º de maio de 2025, mas ainda não foi julgado. Segundo a Global Reach, a família decidiu tornar o caso público porque o pedido de Trump por sua libertação não teve resultado.

A esposa de Chen, Yufang Rong, afirmou que não fala com o marido há mais de 600 dias e disse estar preocupada com seu estado de saúde.

“Youlin nunca teve autorização de segurança do governo dos Estados Unidos, e sugerir que ele esteve envolvido em espionagem é incorreto e incompatível com o caráter público e colaborativo do trabalho que realizou”, afirmou em comunicado divulgado pela Global Reach.

Ela ressaltou ainda que o marido “trabalha de forma transparente com colegas chineses em projetos científicos” e acrescentou: “Ele faz exatamente o tipo de intercâmbio entre pessoas que o governo chinês afirma desejar incentivar.”

Em entrevista à Reuters, Rong contou que funcionários da embaixada americana visitaram Chen diversas vezes, mas sempre na presença de autoridades chinesas, o que impede conversas livres. Ela também informou que contratou um advogado chinês, mas ele só conseguiu encontrar o cientista após mais de 13 meses de detenção.

Segundo Rong, autoridades chinesas interrogaram seu marido mais de cem vezes sobre seu trabalho relacionado às assinaturas sismográficas de testes nucleares realizados pela Coreia do Norte.

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