EUA e Paquistão tentam aumentar cooperação apesar dos drones
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 23 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, defenderam nesta quarta-feira uma maior cooperação entre seus países para superar o momento crítico pelo qual passou a relação bilateral em 2011, mas ainda sob as tensões causadas pelos ataques de Washington com drones em solo paquistanês. De fato, Sharif pediu a Obama durante a reunião realizada na Casa Branca que cessem esses ataques com aviões não tripulados, uma das ferramentas da luta antiterrorista dos EUA e que causaram várias vítimas civis no Paquistão. "Abordei o tema dos drones em nossa reunião e enfatizei a necessidade de pôr fim a esses ataques", disse Sharif aos jornalistas ao término do encontro. Paquistão e EUA "têm uma forte cooperação antiterrorista em curso. Nos pusemos de acordo para fortalecê-la ainda mais", acrescentou. Obama, por sua parte, não mencionou o tema dos drones, destacou que a luta contra o terrorismo representa um desafio que "não é fácil" e que abordou com Sharif como ambos países podem cooperar respeitando a soberania do Paquistão. "Nos comprometemos a trabalhar juntos e assegurar-nos que, em vez de isto ser uma fonte de tensão entre os dois países, possa ser uma fonte de fortaleza cooperar de maneira construtiva e respeitosa", apontou o líder americano. Tanto o povo paquistanês como o americano "sofreram terrivelmente pelo terrorismo", completou. Depois acrescentou que Sharif está "muito comprometido" com a redução dos incidentes terroristas dentro das fronteiras do Paquistão e em evitar que sejam "exportados" a outros países. O objetivo do encontro de hoje era, sobretudo, reativar a relação bilateral, que passou por um momento crítico em 2011 após a morte de Osama bin Laden em solo paquistanês, em uma operação encoberta de soldados americanos, e um bombardeio da Otan que matou 24 soldados paquistaneses. O mero feito da reunião entre Obama e Sharif, a primeira desde que o primeiro-ministro assumiu o cargo no último mês de junho, é visto como um avanço. Mas, além disso, Washington acaba de anunciar a entrega a Islamabad de US$ 1,6 bilhão em ajuda civil e outros US$ 300 milhões correspondentes a despesas de segurança. Os EUA consideram o Paquistão "um parceiro estratégico muito importante", apesar de que é "inevitável" que haja tensões e "mal-entendidos entre nossos países", comentou Obama. "Passamos muito tempo falando de economia", explicou também Obama ao destacar a preocupação de Sharif em impulsionar o setor da energia no Paquistão e detalhar que ambos falaram de como os EUA podem colaborar em projetos deste tipo, sobretudo de infraestrutura. Para Sharif, que assegurou que a segurança energética é uma "prioridade" de seu governo, "forjar uma grande aliança econômica e de investimento com os Estados Unidos é de suma importância". Em relação ao Afeganistão, Obama afirmou que ambos estiveram de acordo em que tanto aos EUA como o Paquistão querem que esse país seja "estável e seguro" quando se complete a retirada das tropas da Otan no final de 2014. "Como no passado, vamos seguir envolvidos com os Estados Unidos na construção de um Afeganistão unido, pacífico e estável", disse Sharif na mesma linha. Obama também elogiou os esforços de Sharif para diminuir a tensão "de décadas" entre Paquistão e Índia. Por sua vez, Sharif transmitiu ao presidente seu "sincero compromisso" em manter uma relação "cordial" com a Índia e trabalhar para resolver "pacificamente" todos os assuntos pendentes, inclusive o conflito pela disputada região da Caxemira. Durante sua visita a Washington, Sharif se reuniu também com o vice-presidente americano, Joe Biden, e com o secretário de Estado, John Kerry. Por sua parte, a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, e a esposa do vice-presidente Biden, Jill, prepararam um chá e um recital de poesia na Casa Branca para a esposa do primeiro-ministro, Kalsoom Sharif. EFE mb/rsd (foto)












