EUA tentam salvar árvore de 300 anos que resistiu à guerra no século 18; entenda
Carvalho estava de pé quando americanos e britânicos se enfrentaram em uma das batalhas da Guerra de Independência
Internacional|Do R7
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Uma árvore que pode ser considerada uma verdadeira testemunha da história dos Estados Unidos está passando por um trabalho de preservação na Carolina do Sul. Com cerca de 300 anos, um carvalho-vivo conhecido como “Witness Tree” estava de pé quando tropas americanas e britânicas se enfrentaram na Batalha de Eutaw Springs, em 1781, um dos últimos grandes confrontos da Guerra de Independência na região.
Atualmente, a árvore fica em Eutawville, em uma área histórica preservada próxima ao Eutaw Springs Battleground Park. Historiadores acreditam que o carvalho estava voltado para o campo onde ocorreu a batalha e que soldados britânicos chegaram a montar acampamento nas proximidades.
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Com cerca de 13,7 metros de altura, o exemplar possui um tronco de aproximadamente 1,8 metro de diâmetro. Sua copa ocupa uma área equivalente a quase metade de um campo de futebol. A longevidade transformou a árvore em uma espécie de monumento natural, mas também fez com que ela acumulasse marcas de diferentes períodos de sua história.
Uma das maiores ameaças aconteceu cerca de 50 anos atrás, quando um raio atingiu o carvalho. A descarga provocou uma grande abertura na estrutura da árvore e chegou a dividi-la ao meio. Para evitar que os galhos e o tronco se partissem completamente, foram instaladas correntes e cabos de aço ao redor de diferentes partes da planta.
A solução ajudou a estabilizar o exemplar naquele momento, mas o passar dos anos trouxe um efeito contrário. À medida que o carvalho continuou crescendo, a madeira envolveu parte das estruturas metálicas. Em alguns pontos, as correntes ficaram praticamente incorporadas ao tronco.
Correntes ameçam a árvore
Segundo a revista Garden & Gun, uma avaliação realizada por especialistas da empresa SavATree identificou que os suportes antigos estavam prejudicando a saúde do carvalho. Em entrevista à publicação, o arborista Aron Landsaw explicou que as correntes passaram a comprimir o tecido da árvore e dificultar o transporte de água e nutrientes absorvidos pelas raízes.
“O sistema que ajudou a salvar a árvore décadas atrás agora representa uma ameaça à sua sobrevivência”, explicou.
A intervenção foi encomendada pela American Battlefield Trust, organização responsável pela conservação de áreas relacionadas à história militar dos Estados Unidos. A entidade trabalha em parceria com o South Carolina Battleground Trust para proteger o terreno onde a árvore está localizada.
O plano de recuperação envolve várias etapas, aponta a Garden & Gun. Antes da retirada das correntes, os especialistas removeram madeira morta e partes danificadas da árvore. Também trabalharam no solo ao redor das raízes, que estava compactado.
Quando o solo fica excessivamente comprimido, os espaços entre as partículas diminuem, dificultando a circulação de ar e água. Isso pode limitar o desenvolvimento das raízes e reduzir a quantidade de nutrientes disponível para a planta. Por isso, a equipe descompactou a área e iniciou aplicações profundas de nutrientes para melhorar as condições do sistema radicular.
A etapa mais delicada, porém, é a remoção das correntes de aço. Ainda de acordo com a Garden & Gun, sete arboristas deverão subir centenas de metros pela estrutura da copa para retirar cuidadosamente o metal que foi incorporado à madeira ao longo de aproximadamente 50 anos.
O trabalho exige atenção porque algumas correntes continuam submetidas a uma forte tensão. Quando são cortadas, a energia acumulada pode provocar um movimento brusco e perigoso. Por isso, os especialistas precisam controlar cuidadosamente cada etapa da retirada.
Novo sistema vai proteger o carvalho
Depois da remoção dos antigos suportes, a árvore receberá uma estrutura de sustentação mais moderna, destaca a Garden & Gun. Hastes serão instaladas em pontos estratégicos dos galhos e conectadas a cabos que convergirão para uma espécie de núcleo central.
A ideia é oferecer estabilidade sem impedir que a árvore se movimente naturalmente. Essa flexibilidade é importante principalmente durante tempestades, quando o vento exerce grande pressão sobre a copa.
Os responsáveis também instalarão um sistema de proteção contra raios feito com cabos de cobre. O equipamento terá a função de conduzir uma eventual descarga elétrica até o solo, reduzindo o risco de que a árvore volte a sofrer danos semelhantes aos provocados pelo raio que a atingiu décadas atrás.
Apesar da idade avançada e dos danos acumulados, os especialistas acreditam que ainda há condições para preservar o carvalho. Para Landsaw, o trabalho representa uma oportunidade rara de cuidar de uma árvore que possui uma ligação direta com um episódio histórico ocorrido quase 250 anos atrás.
A propriedade onde o exemplar está localizado possui cerca de quatro acres, equivalentes a aproximadamente 16 mil metros quadrados. Em 2023, o terreno foi incorporado ao Liberty Trail, uma rede de locais históricos criada para contar a história da Carolina do Sul durante o período da Revolução Americana.
A expectativa é ampliar a área protegida nos próximos anos, especialmente com a aproximação do aniversário de 250 anos da Batalha de Eutaw Springs, em 2031.
Para Catherine Noyes, vice-diretora de preservação de terras da American Battlefield Trust, a importância da árvore vai além de sua idade. Ao WISTV, ela destacou que a presença do carvalho permite que visitantes tenham contato direto com um elemento que já existia quando os acontecimentos históricos ocorreram.
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