Logo R7.com
RecordPlus

EUA vivem momento mais crítico com muçulmanos desde o 11 de Setembro

Filme anti-islã e morte de embaixador na Líbia elevaram tensões

Internacional|Diego Junqueira, do R7

  • Google News
Farah Pandith durante palestra hoje em São Paulo
Farah Pandith durante palestra hoje em São Paulo

Os Estados Unidos vivem atualmente o momento mais crítico em sua relação com os povos muçulmanos desde os atentados terroristas de 11 de Setembro. O motivo: o filme anti-islã que causou violentos protestos nos países árabes, motivando inclusive os ataques que levaram à morte do embaixador norte-americano na Líbia.

A opinião é da indo-americana Farah Pandith, assessora especial da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.


— Sim, nós estamos em um momento crítico, mas esse é um momento crítico do mundo.

Farah realizou nesta terça-feira (9), em São Paulo, a palestra “Promovendo tolerância Inter-religiosa entre jovens muçulmanos”, nas Faculdades Rio Branco.


Nascida na Índia e de religião muçulmana, ela é representante especial de Hillary para as comunidades islâmicas. Há três anos e meio no cargo, Farah desenvolve projetos com jovens muçulmanos em dezenas de países com o objetivo de “resolver problemas de uma maneira diferente”.

Segundo ela, “os americanos em todo o país condenam nos termos mais fortes aquele trailer”, mas, ao mesmo tempo, defendem o direito do produtor de realizar o filme.


— Porque é nisso que acreditamos na América, que você tem o direito de poder fazer isso.

Entenda o polêmico filme


Farah define como “nojento” o filme Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre), que retrata com deboche o profeta islâmico Maomé. Ela afirma ainda que tanto Hillary como o presidente Barack Obama condenaram a divulgação do trailer que rodou o mundo no início de setembro.

Para Farah, o momento é crítico, mas para todo o mundo, já que o preconceito contra judeus, muçulmanos ou outros grupos está cada vez maior.

— Estão crescendo as vozes contra a diversificação da sociedade. Em escolas de todo o mundo, estudantes são vítimas de bullying de todo tipo.

Mas, segundo ela, é um momento crítico “bom, não ruim”. Com otimismo, ela explica que as novas gerações, com amplo acesso a internet e redes sociais, estão mais empoderadas.

— Esta é a geração que tem o poder de mudar o modo como nós pensamos sobre o respeito entre uns e outros.

Farah reconhece, no entanto, que jovens muçulmanos em regiões de conflito, como as gerações palestinas, crescendo em ambientes sem estabilidade, oq eu dificulta a resolução de conflitos, e exige ainda mais trabalho de campo, sobretudo com ONGs e entidades civis.

Para o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Dennis Hankins, “jovens em áreas de conflitos se tornam mais conservadores que seus pais”. Mas reforça a mensagem de Farah:

— Os jovens são os que podem mudar.

Leia também

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.