Exército colombiano manterá operações apesar do anúncio de trégua das Farc
Ministro da Defesa coloca em dúvida vontade das Farc de manter cessar-fogo
Internacional|Do R7
O Exército da Colômbia manterá suas operações contra as Farc apesar do anúncio de trégua unilateral realizado na segunda-feira (19) pela guerrilha comunista no começo das negociações de paz em Cuba, afirmou o ministro de Defesa, Juan Carlos Pinzón.
"Essa é a postura muito clara que corresponde à Força Pública, continuar trabalhando para perseguir esses indivíduos que violaram todo tipo de códigos, de normas e atentaram contra a vida e a honra dos colombianos", destacou Pinzón em coletiva de imprensa.
As Farc são perseguidas por "todos os crimes que cometeram ao longo de tantos anos e não pelos crimes futuros", disse.
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O ministro também colocou em dúvida a vontade das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em manter um cessar fogo.
— Tomara que cumpram com o que prometeram, mas a realidade é que a história mostra que esta organização terrorista nunca cumpriu nada.
O número dois das FARC, Iván Márquez, anunciou na segunda-feira um cessar das operações ofensivas guerrilheiras durante dois meses a partir de meia-noite com objetivo de "fortalecer o clima de entendimento necessário" para os diálogos de paz.
Márquez informou esta trégua no Palácio de Convenções de Havana momentos antes de começar o primeiro dia das negociações com o governo colombiano, que buscam uma solução para o conflito armado que já dura quase meio século.
O presidente Juan Manuel Santos, que sempre rejeitou uma trégua bilateral durante as negociações, não se referiu ao anúncio das FARC em seu discurso da tarde de segunda-feira sobre a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) no litígio marítimo com a Nicarágua.
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A decisão das FARC foi saudada pelo movimento civil Colombianos e Colombianas pela Paz, que tinha proposto publicamente a ambas partes que decretassem a trégua.
Solicitamos ao governo "que decida cessar as atividades militares ofensivas, o que será uma mensagem de esperança para os colombianos", reiterou este movimento liderado por Piedad Córdoba, ex-senadora e mediadora de dezenas de libertações de sequestrados das FARC nos últimos anos.
As negociações de paz, que nesta primeira etapa durarão 10 dias, abordam, em primeiro lugar, o tema do desenvolvimento agrário.











