Logo R7.com
RecordPlus

Exército depõe presidente do Egito

Internacional|Do R7

  • Google News

Enrique Rubio. Cairo, 3 jul (EFE).- As Forças Armadas do Egito depuseram nesta quarta-feira o presidente Mohammed Mursi, eleito há um ano, e suspenderam a Constituição, um movimento que volta a deixar o país rumo ao desconhecido. Para governar interinamente no lugar de Mursi, os militares designaram o presidente do Tribunal Constitucional Supremo, Adly Mansour, que deverá convocar e supervisionar as próximas eleições presidenciais. Em discurso à nação, o chefe do Exército, Abdel Fatah al Sisi, anunciou que o presidente terá todo o poder para fazer declarações constitucionais e para designar um chefe de Governo com prerrogativas. Além disso, será formado um comitê de especialistas para emendar a Constituição, segundo o plano exposto por Sisi, que estava rodeado de líderes políticos, além do xeque da instituição islâmica de Al-Azhar, Ahmed Tayyip, e o papa copta, Teodoro II. O general argumentou que Mursi "não respondeu às reivindicações do povo" depois do ultimato de 48 horas dado pelo Exército, por isso as Forças Armadas abriram consultas com representantes da sociedade egípcia para traçar um plano. "O Exército sentiu que o povo egípcio lhe pedia ajuda. Não que tomasse o poder, mas cumprisse sua responsabilidade civil, e as Forças Armadas entenderam a essência da mensagem", acrescentou. Em sua primeira reação ao anúncio, Mursi pediu os altos comandantes militares e aos soldados que cumpram a Constituição e não respondam a este "golpe de Estado". Da mesma forma, afirmou em um breve comunicado que continua sendo o presidente do Egito. As palavras de Sisi levaram imediatamente o júbilo à praça Tahrir, onde centenas de milhares de egípcios esperavam que o Exército atuasse contra Mursi depois do ultimato. Os opositores cantaram o hino nacional e músicas patrióticas em sinal de alegria, enquanto alguns acenavam para os helicópteros militares que sobrevoavam a praça. "Estávamos há tanto tempo esperando por este momento que agora que ocorreu é emocionante. Ao Egito está guardado um futuro melhor", afirmou à Agência Efe a jovem Joyce Saman, de 23 anos. Enquanto isso, na praça Rabea Adauiya, onde se concentram os seguidores de Mursi e que foi cercada por blindados militares antes do anúncio, um silêncio sepulcral se seguiu à derrubada de Mursi, só quebrado por alguns gritos de "ilegítimo". A grande incógnita sobre a nova etapa no Egito agora é comprovar qual será a reação dos partidários islamitas do líder deposto, que sempre se manifestaram contra a este entregar o poder. Apesar de Mursi ter pedido aos militares "preservar a paz, o serviço e evitar o derramamento de sangue egípcio", o temor de uma explosão da violência paira sobre o ambiente, apesar da jornada relativamente pacífica que o país viveu. O anúncio do Exército, que era considerado inevitável desde o discurso no qual Mursi rejeitou renunciar na noite de terça-feira, veio respaldado por destacados líderes políticos e religiosos. Todos eles justificaram seu apoio à saída do presidente como única medida para evitar o derramamento de sangue e preservar a estabilidade do país. O representante da opositora Frente 30 do Junho e prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, qualificou o roteiro traçada pelo Exército como um "passo em direção à reconciliação nacional" e declarou que este é o "novo começo da revolução". Por sua vez, o xeque da instituição de Al-Azhar (a mais prestigiada do islã sunita), Ahmed al Tayyip, considerou que com esta iniciativa o dividido povo egípcio poderá "estender laços", enquanto o papa copta, Teodoro II, disse que a roteiro foi aprovado para "resolver o atual beco sem saída". Destacou-se a presença dos salafistas ultraconservadores do partido Al Nour, cujo partido foi o segundo mais votado nas eleições legislativas e cujo secretário-geral, Galal Morra, justificou o acordo para "evitar o derramamento de sangue". Os militares queriam que os movimentos juvenis também marcassem presença, encarnados no movimento "Tamarrud" (Rebelião), que se encarregou de lançar uma campanha em massa de coleta de assinaturas que deu início aos protestos que começaram no domingo. O coordenador da campanha, Mohammed Abdelaziz, ressaltou que "se abre uma novo caminho sem excluir ninguém", e mostrou seu interesse em dialogar para cumprir as reivindicações concretizadas no lema "pão, liberdade e justiça social". EFE er/id (foto) (vídeo)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.