Falta de médicos faz civis se tornarem cirurgiões em Idlib
Civis estão sendo alvos na Síria e bombas foram lançadas em ao menos duas escolas e dois jardins de infância, atingindo famílias deslocadas
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Procurar por Idlib no Google Map já é um indício do caos humanitário que vive a cidade. O satélite só chega até determinada altura e, diferentemente de em outros centros urbanos sem conflito, não é possível ver as lojas, os carros, a cidade, com as câmeras das ruas.
Leia mais: Combates em Idlib acirram crise humanitária na Síria
Os bombardeiros tornaram a área um palco de terror. A região, no noroeste da Síria, é considerada pelo governo do ditador Bashar al-Assad como o último reduto dos rebeldes na Guerra Síria, iniciada em 2011.
A intensificação dos combates nas redondezas, desde o fim de 2019, obrigou cerca de 900 mil pessoas a deixarem suas casas em busca de abrigo. E agora, grande parte delas está sendo vítima dos bombardeios, conforme afirma a ONG MSF (Médicos Sem Fronteiras).
Bombas foram lançadas em ao menos duas escolas e dois jardins de infância, atingindo famílias deslocadas. Nos últimos dias, 185 feridos chegaram aos três hospitais apoiados pela entidade, sendo que metade era de mulheres e crianças. Destes, 18 chegaram sem vida.
A organização acusa o governo de realizar bombardeios intensos e indiscriminados a cidades e vilarejos, enquanto os confrontos se intensificam ao norte da estrada que liga Aleppo a Idlib.
No norte de Idlib, conta informe do MSF, a única instalação médica ainda em funcionamento se tornou uma clínica secreta administrada por cidadãos locais e alguns agentes de saúde sírios.
O local funciona sob fogo intenso, com os voluntários correndo riscos e lutando para enviar os feridos com maior gravidade para hospitais fora da cidade.
“Para uma cidade que observou grande parte de sua população partir e recebeu pessoas deslocadas de outras áreas bombardeadas, há um impressionante senso de solidariedade. As pessoas estão assumindo atividades de enfermeiros e até cirurgiões, para procedimentos mais simples, porque simplesmente não há mais ninguém para fazer isso”, diz o médico Adrien Marteau, integrante da equipe de MSF.
Leia também
“Mas diante da seriedade dos ferimentos e dos riscos envolvendo a evacuação dos pacientes, muitos feridos estão morrendo devido à falta de acesso a tratamento ou à impossibilidade de serem evacuados a tempo. A maioria dos pacientes admitidos no hospital de MSF na província de Idlib é dessa área e está gravemente ferida”, completa.
A região de Idlib tem se mantido graças à solidariedade entre os civis. Há escassez de água potável, pão e leite em pó. O preço do gás aumentou muito e a região está sem energia elétrica. Organizações humanitárias têm criado comitês para acolher cerca de 1,3 mil famílias desamparadas.
A entidade também não tem recebido o apoio do governo, a quem acusa de ser o autor destas atrocidades.
“À medida que estamos proibidos de atuar do lado das forças do governo, não é possível termos uma visão imparcial da situação. Mas tem de ser dito que estamos observando uma verdadeira estratégia terrorista, orquestrada pelo governo sírio, contra as pessoas desta região”, afirma Mego Terzian, coordenador de operações de emergência da MSF.
Ofensiva em Idlib gera alerta para nova crise humanitária na Síria
Os conflitos em Idlib, um dos últimos redutos de rebeldes, começam a se intensificar, com a intenção da Rússia e do governo sírio de atacarem o que chamam de grupos terroristas liderados pela organização Tahrir al-Sham, vertente da antiga Frente Al-Nu...
Os conflitos em Idlib, um dos últimos redutos de rebeldes, começam a se intensificar, com a intenção da Rússia e do governo sírio de atacarem o que chamam de grupos terroristas liderados pela organização Tahrir al-Sham, vertente da antiga Frente Al-Nusra, representante da Al-Qaeda no país























