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Fang Lizhi nega ter sido dissidente da Praça da Paz Celestial em biografia

Internacional|Do R7

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Pequim, 5 mai (EFE).- Até então reconhecido como um dos principais dissidentes dos protestos estudantis da Praça da Paz Celestial, Fang Lizhi negou em uma biografia póstuma ter desempenhado uma função de destaque nas manifestações que defendiam a democracia no país asiático no ano de 89, as quais acabaram em um emblemático massacre. Fang Lizhi não foi a "mão negra" por trás do movimento de 89, assinala ele mesmo em uma biografia póstuma que foi publicada recentemente e que, neste domingo, teve trechos divulgados pelo jornal "South China Morning Post", que também apresentou mais detalhes da vida do suposto dissidente chinês que morreu há mais de um ano nos Estados Unidos. Pouco tempo após a dura repressão militar dos protestos da Praça da Paz Celestial, Lizhi e sua esposa, Li Shuxian, se refugiaram na embaixada americana na capital chinesa por mais de um ano e, posteriormente, buscaram exílio nos Estados Unidos. Nos EUA, o suposto dissidente retomou seu trabalho docente e se transformou em um reconhecido professor de astrofísica na Universidade do Arizona, estado onde viveu até o fim de sua vida. Em sua biografia póstuma, o astrofísico chinês descarta ter tido uma grande participação nos protestos e defende que "sua personalidade de cientista - buscando sempre verdade" - foi o que o fez ele ser um dos homens mais procurados da China e lhe obrigou a buscar exílio fora do país, segundo ele mesmo relata. "Espero que minha autobiografia ajude a esclarecer como fui guiado pela ciência e pela democracia para acabar como o homem mais procurado (pelas autoridades chinesas)", destaca a orelha do livro chegou às livrarias de Hong Kong na última sexta-feira. O jornal local destaca neste domingo outros detalhes da publicação que começou a ser escrita mais de 20 anos antes da morte de Lizhi: "A democracia não é um bem concedido de cima; tem que ser alcançada pelo esforço do povo". Essas foram essas as palavras pronunciadas em um famoso discurso no ano de 1986, quando Lizhi era vice-presidente da Universidade de Ciência e Tecnologia em Hefei, província oriental de Anhui, e que três anos mais tarde inspiraram o movimento estudantil da Praça da Paz Celestial. Lizhi relata que algumas das iniciativas que incomodaram os "altos cargos" correspondiam a "sua honesta opinião de cientista ao falar sobre o desenvolvimento da China". "Aprendemos com a ciência a ser abertos, honestos e a não ter medo", assegura o astrofísico chinês em sua biografia. Apesar de negar seu envolvimento nos protestos da Praça da Paz Celestial, Lizhi teria sido o autor de uma carta aberta, emitida no dia 6 de junho de 1989, que pedia a libertação de todos os prisioneiros políticos, uma espécie de "anistia em massa", por conta da celebração dos 40 anos da República Popular. No entanto, o até então principal dissidente do movimento de 89 garante em sua biografia que a política nunca foi sua esfera de atuação. Lizhi faz questão de diminuir a importância de suas aparições nos protestos ao assegurar que fez de tudo para não participar dos encontros na Praça da Paz Celestial, inclusive durante os dois meses de manifestações pró-democracia que acabaram no massacre do dia 4 de junho de 1989, quando as imagens dos tanques comunistas nas ruas de Pequim deram a volta ao mundo. "Se há algo no que contribuí para o movimento (democrático), poderia ser minha simples mensagem (democrático), que acabou tocando o público", defende o astrofísico chinês. EFE tg/fk

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