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Fazer ou não as malas? Bangladeshianos na Índia vivem na incerteza

Internacional|Do R7

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Noemí Jabois. Nova Délhi, 19 jun (EFE).- A Índia abriga entre dez e 20 milhões de imigrantes ilegais bangladeshianos, que, diariamente, cruzam a fronteira para se instalar, principalmente, no nordeste do país e em grandes metrópoles. Durante a guerra da independência que, em 1971, deu origem à nação de Bangladesh, milhões de pessoas passaram ao país vizinho em busca de um futuro estável e, desde então, o fluxo migratório não parou. Porém, agora, esse movimento pode estar ameaçado com a chegada ao poder do recém-eleito primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que durante a campanha eleitoral advertiu: "Melhor que estejam preparando as malas". No entanto, Modi faz uma distinção baseada na religião, ao assegurar que os hindus que escapam da perseguição (islâmica) são refugiados, enquanto os muçulmanos são 'migrantes' econômicos, explicou à Agência Efe a pesquisadora Smruti Pattanaik. "Os hindus cruzam para escapar da violência e dos ataques dos muçulmanos", esclareceu a especialista do Instituto de Estudos de Defesa e Análises do Sul da Ásia (IDSA, sigla em Inglês). Na busca por trabalho, outros utilizam a Índia como local de trânsito para atravessar ao Paquistão e, posteriormente, ao Oriente Médio. Além disso, aqueles que têm acusações criminais cruzam a fronteira para fugir das autoridades locais. Não há números confiáveis dos bangladeshianos que entram na Índia, já que se trata de "imigrantes ilegais" e muitos contam, "com a conivência das autoridades locais", com documentos como títulos eleitorais e cartilhas de racionamento. Estes salvo-condutos permitem a existência dos denominados 'bancos de votos', pelos quais os governos permitem que os bangladeshianos fiquem em seu território em troca de sufrágios em seu favor. Atravessar a fronteira não é difícil, já que os bangladeshianos são ajudados por traficantes de pessoas ou entram através do pagamento de suborno às forças de segurança. "Muitos também vão com visto e ficam. Trata-se basicamente de imigração de quebra. Cruzam, se alojam com parentes e, depois, migram a outros estados do país", argumentou a pesquisadora do IDSA. De acordo com ela, o aspecto econômico não é um dos problemas que a imigração irregular causa na Índia, já que a maioria dos bangladeshianos trabalha na informalidade. O maior impedimento é o sentimento de identidade no nordeste indiano, uma questão que acabou por produzir diversos enfrentamentos entre os imigrantes e a população tribal indiana. Neste sentido, ela adverte para os perigos da "divisão comunal e das políticas de identidade", e põe como exemplo o auge da Frente Democrática Toda Índia Unida - do estado de Assam - e as três cadeiras que obteve no pleito geral. Em várias circunscrições deste estado do nordeste indiano o número de bangladeshianos cresceu tanto que eles sozinhos "são capazes de determinar os resultados das eleições". De fato, 31 pessoas morreram em maio deste ano em enfrentamentos étnicos vinculados ao pleito geral indianos na região de Assam. Especialmente nos povoados próximos à fronteira, os censos também registram um aumento significativo de muçulmanos, que de 1951 a 2011 cresceu quase 5%. O tema imigração entre Bangladesh e Índia é habitual nos discursos políticos em épocas próximas ao pleito e o respaldo de Modi e seu partido, o BJP, aos "refugiados" hindus bangladeshianos é bastante conhecido. Dessa forma, será preciso esperar para ver se as intenções são postas em prática, já que a grande quantidade de pessoas que seguem cruzando a fronteira e a porosidade dela dificultaram, até o momento, as tentativas de resolver o assunto. EFE njd/cdr-rsd

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