FHC defende retomada de negociações de paz no Oriente Médio: "É preciso insistir"
Ex-presidente participou de jantar em que falou sobre direitos humanos e antissemitismo
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Em jantar beneficente realizado para cerca de 200 pessoas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu, nesta quarta-feira (20), a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos em busca de uma solução para a paz no Oriente Médio.
— Por mais que nesse momento pareça distante, é preciso insistir em tentativas para um acordo de paz.
Segundo o R7 apurou, neste evento, realizado pela Acrelbi (Associação Cultural Religiosa Brasileira Israelita), que comanda o I.L Peretz, colégio judaico em São Paulo, FHC fez várias menções ao sistema democrático israelense e apoiou a existência de dois estados na região.
O encontro teve a presença de cerca de 200 pessoas, a grande maioria da comunidade judaica, que ouviram o ex-presidente discorrer sobre temas como direitos humanos e antissemitismo, dentro do programa "Educação para a Vida", do colégio.
Em relação ao recrudescimento de atos antissemitas em alguns lugares do mundo, ele afirmou que a solução para que isso seja combatido é a educação. Para ele, este é o principal meio para se desconstruir qualquer forma de preconceito.
O ex-presidente citou o povo judeu como exemplo de apego à educação, já que, justamente por valorizar o estudo da Torá (livro sagrado judaico), a importância dos estudos se tornou tradição, sendo passada de geração a geração.
FHC exortou ainda o Brasil e outros países a reconhecerem o genocídio armênio pela Turquia, em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial.
Para o ex-presidente, é preciso manter viva a cultura da busca permanente pela igualdade, com respeito às diferenças. E lembrou uma frase do filósofo Immanuel Kant (1724-1804).
— O ideal seria termos um direito único para todos os povos.
FHC destacou ainda que a retomada das negociações com o Irã, liderada pelos Estados Unidos, a respeito do programa nuclear iraniano, ocorreu porque o governo de Barack Obama deve ter chegado à conclusão de que, se não fosse desta maneira, o desenvolvimento da bomba atômica iraniana seria irreversível.
Segundo ele, as instalações nucleares iranianas estão bem escondidas e protegidas em lugares subterrâneos. Um acordo possibilitaria inspeções e algum controle em relação às ações iranianas neste sentido.
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Durante o jantar, o ex-presidente não fez referências ao PT, ao governo da presidente Dilma Rousseff, a Luiz Inácio Lula da Silva e nem falou sobre campanha pelo impeachment. Apenas abordou o cenário brasileiro quando lhe foi feita a última pergunta da noite: como ele vê o Brasil daqui a 30 anos.
Para o ex-presidente, o Brasil perdeu grande oportunidade de avançar economicamente, especialmente entre 2004 e 2008, quando, segundo ele, os ventos eram favoráveis, no momento em que havia uma alta das commodities no mercado internacional.
Mas ele disse não ter perdido o otimismo em relação ao futuro da nação, colocando no esforço e na união da sociedade a esperança no desenvolvimento brasileiro durante as próximas décadas.









