Franceses vivem clima de tensão e tristeza um dia após ataque que deixou 12 vítimas
Milhares de pessoas saíram às principais praças e igrejas do país em atos de solidariedade
Internacional|Por Ana Carolina Neira, especial para o R7 direto da França

Os franceses viveram momentos de pânico nesta quarta-feira (7), após o ataque terrorista ocorrido na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. Entre os 12 mortos estavam quatro cartunistas da publicação e um policial.
O ataque ocorreu às 11h (horário local, 8h em Brasília). No início da tarde de ontem, diversas cidades do país tiveram aumento do policiamento e a população acompanhava pela TV o caos instalado na capital francesa, com tumulto e estações de metrô interditadas.
O bancário Rolland Lecoq trabalha próximo ao local do ataque e contou que ao final do dia o clima nas ruas já era um pouco mais tranquilo, porém o medo ainda era visível entre os parisienses.
— Sempre vimos isso de fora e de repente acontece aqui. Eles tinham vítimas específicas, profissionais de imprensa reconhecidos. As pessoas não falam de outra coisa. Tememos outros ataques do tipo.
Dois suspeitos de ataque a Charlie Hebdo são localizados
Em todo o país, foram feitas manifestações de apoio às vítimas. Em Nantes, na região de Pays de la Loire, estima-se que 5.000 pessoas estiveram na principal praça da cidade. Por volta das 18h, era difícil andar pelo centro e policiais faziam a segurança do local.
Marie Géllard, 19 anos, é estudante e reuniu-se na praça com um grupo de amigos. Ficaram sabendo da manifestação via Facebook, organizada poucas horas após o ataque. "As pessoas estão com medo, é natural. Não estamos acostumados com esse tipo de coisa aqui na França", diz.
Ela acredita ser importante esse tipo de ato, reforçando a união do povo francês num momento difícil.
— Há tempos, a equipe do jornal vivia sob medo e ameaças, mas não podemos nos amedrontar diante disso. É triste, eram pessoas fazendo seu trabalho.
No entanto, a jovem reconhece que o limite entre liberdade de expressão e ofensas é tênue.
— É importante pensarmos nisso e não deixar que a islamofobia tome conta da França por conta das visões distorcidas de extremistas.
Na manhã desta quinta-feira (8), os franceses acompanhavam as notícias e o assunto esteve presente nas ruas, bares e restaurantes. O presidente François Hollande declarou luto oficial de três dias.
Na catedral de Notre Dame, em Paris, os sinos tocaram às 12h (9h em Brasília) para lembrar os mortos no ataque, enquanto um grupo de pessoas permanecia em frente ao local em mais um ato de solidariedade.
Na região de Montrouge, ao sul da capital francesa, um tiroteio reforçou o clima de tensão, além das especulações. "Um ataque em um dia, um tiroteio no outro. Algo louco está acontecendo na França, as pessoas se perguntam o que virá a seguir", disse Justine Ledoyen, moradora do bairro.
Investigações afirmam que não há relação entre os dois casos, mas a polícia ainda procura por esclarecimentos.
Suspeitos localizados
Dois foragidos pelo atentado contra o jornal Charlie Hebdo, os irmãos Cherif e Said Kouachi, foram localizados na manhã de hoje em Villers-Cotterets, na região da Picardia, de acordo com o site Le Parisien. Ambos vivem na França e teriam passado por treinamento na Síria antes de retornar ao país.











