Funcionária da ONU fala pela primeira vez sobre assédio sofrido
Em entrevista à CNN, Martina Brostrom afirma ter recebido uma oferta de promoção como pedido de desculpas pelo caso
Internacional|Pablo Marques, do R7

A funcionária da ONU Martina Brostrom falou pela primeira vez após denunciar assédio sexual na entidade. Em entrevista para a rede de TV norte-americana CNN, disse ter recebido uma proposta de promoção como pedido de desculpas.
Brostrom acusa o Secretário-Geral Assistente do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, Luiz Loures, de beijá-la a força dentro de um elevador e depois tentado arrastá-la para o quarto. O crime aconteceu em um hotel, durante uma conferência em Genebra, em 2015.
Em respostas à CNN, Loures disse ter cooperado durante os 14 meses de investigação e que foi considerado inocente. A vítima considera que as investigações do caso foram falhas.
Outras duas mulheres acusam o mesmo alto-funcionário da ONU de assédio. Malayah Harper afirma ter sido abordada dentro de um elevador, em 2014. O outro caso teria ocorrido há alguns anos. A funcionária preferiu não revelar a identidade por continuar trabalhando na organização.
Luiz Loures deixará o cargo até o fim desta semana, quando seu contrato terminar. A ONU diz não ter influenciado essa decisão.
A CNN também teve acesso a uma gravação do diretor da UNAIDS, Michel Sidibé, durante uma reunião em fevereiro deste ano. Ele classificou a decisão de Loures de deixar a ONU como “corajosa” e fez críticas às funcionárias que levaram seus casos à público. Disse que “elas não tiveram uma abordagem moral dos casos.”
Sidibé também teria oferecido para Martina Brostrom uma promoção como pedido de desculpas se ela deixasse de levar as denúncias adiante.
Em um e-mail enviado ao secretário Geral da ONU, Antonio Guterrez, Martina Brostrom se diz vítima de dois casos de dois assédios: "o primeiro sexual por Luiz Loures e o segundo profissional e moral por Michel Sidibé."











