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Guerra entre EUA e Irã se expande para o Indo-Pacífico e pode dificultar negociações

Washington havia prometido rastrear embarcações ligadas ao Irã em qualquer parte do mundo

Internacional|Brad Lendon, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os EUA interceptaram um petroleiro iraniano, M/T Tifani, no Oceano Índico, ampliando o bloqueio contra o Irã.
  • A expansão do conflito para a região do Indo-Pacífico pode dificultar negociações de paz com Teerã.
  • O uso de uma base marinha expedicionária pelos EUA demonstra a capacidade de imposição de bloqueios e sanções.
  • O Irã prometeu retaliar a apreensão do navio, o que dificulta o diálogo e a resolução do conflito.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Não está claro o que acontecerá com o M/T Tifani e sua carga de petróleo @DeptofWar/X via CNN Internacional - 21.04.2026

A abordagem dos Estados Unidos a um navio-tanque de petróleo no Oceano Índico nesta terça-feira (21) mostra Washington cumprindo a promessa de rastrear embarcações ligadas ao Irã em qualquer parte do mundo, uma extensão do bloqueio aos portos iranianos que aumenta a pressão sobre Teerã.

Mas a ampliação da área de conflito, a milhares de quilômetros do golfo Pérsico, pode aumentar a distância a ser superada em eventuais negociações de paz.


O presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, destacou na semana passada que embarcações ligadas ao Irã teriam dificuldade para escapar do alcance global da Marinha americana. Ele mencionou especificamente a área sob responsabilidade do Indopacom (Comando Indo-Pacífico dos EUA).

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Dados de rastreamento marítimo mostraram que o petroleiro M/T Tifani (número 9273337 da Organização Marítima Internacional), com capacidade para transportar 2 milhões de barris de petróleo bruto, foi interceptado entre o Sri Lanka e a Indonésia, a mais de 3.200 quilômetros do golfo Pérsico, dentro da área de atuação do Indopacom.


Segundo imagens de satélite analisadas pela CNN Internacional, a embarcação seguia em direção ao estreito de Malaca e havia estado no terminal petrolífero iraniano da ilha de Kharg, no golfo, ainda em 6 de abril.

Dados de tráfego marítimo mostram que o navio estava no golfo de Omã, fora do estreito de Ormuz, em 10 de abril, navegando para sudeste.


Em 21 de abril, logo após passar pelo Sri Lanka, o petroleiro fez uma mudança brusca de rota — primeiro uma curva acentuada de 90 graus para o sul, depois outra de 90 graus para o leste.

Pouco depois, os EUA anunciaram a abordagem.


Uma análise da CNN Internacional sobre os movimentos do Tifani no último ano mostra que ele viajava com frequência entre o golfo Pérsico e o limite externo do porto oriental da Malásia (EOPL), no lado leste do estreito de Malaca.

O EOPL é um ponto onde petróleo sancionado da chamada “frota fantasma” é transferido para outras embarcações para ocultar sua origem e driblar sanções.

Nos últimos 12 meses, o Tifani parece ter realizado várias dessas transferências no EOPL e no Estreito de Singapura, segundo dados da MarineTraffic analisados pela CNN Internacional.

Uma imagem de satélite obtida pela CNN Internacional mostrou o navio lado a lado com outro petroleiro chamado Macho Queen em agosto de 2025. A CNN Internacional identificou as embarcações comparando comprimento e características visuais.

EUA usam base marítima expedicionária

Vídeo divulgado nas redes sociais pelo Departamento de Defesa dos EUA mostrou tropas embarcando em helicópteros a partir de um navio de guerra da Marinha americana e pousando no petroleiro.

Esse navio, uma base marítima expedicionária, tem tamanho semelhante ao de um porta-aviões e pode apoiar helicópteros e forças especiais.

Seu uso na operação em águas abertas do Oceano Índico indica a amplitude dos recursos da Marinha dos EUA para impor bloqueios e aplicar sanções.

O Departamento de Defesa não informou o nome da embarcação, mas o USS Miguel Keith, uma das cinco bases marítimas expedicionárias da frota americana, esteve recentemente na região após passar pelo estreito de Malaca. A CNN Internacional entrou em contato com o Comando Central dos EUA e a 7ª Frota para comentários.

Navio interceptado

A interceptação, no fim de semana, de um navio de carga iraniano, o M/V Touska, foi realizada por um destróier com mísseis guiados — a Marinha possui 74 desse tipo — com fuzileiros navais vindos de um navio de assalto anfíbio, essencialmente um pequeno porta-aviões.

A Marinha dos EUA tem nove desses e 11 porta-aviões, embora nem todos estejam prontos para combate ao mesmo tempo.

Acredita-se que as embarcações interceptadas façam parte da “frota fantasma”, que ajuda a transportar petróleo iraniano e outros produtos, incluindo itens com possível uso militar, ao redor do mundo.

“Como deixamos claro, vamos conduzir ações globais de fiscalização marítima para interromper redes ilícitas e interceptar embarcações sancionadas que fornecem apoio material ao Irã — onde quer que operem”, afirmou o Departamento de Defesa nas redes sociais na terça-feira.

“As águas internacionais não são refúgio para embarcações sancionadas”, acrescentou.

Analistas também afirmam que o alto-mar é um local mais seguro para esse tipo de operação, com menos embarcações neutras por perto e sem áreas terrestres que limitem manobras ou permitam esconder adversários, como pode ocorrer no entorno do golfo Pérsico.

A tática em mar aberto lembra a estratégia usada pelos EUA ao rastrear petroleiros ligados à Venezuela no início deste ano — antes de, posteriormente, capturar o presidente Nicolás Maduro em uma operação.

Desde a abordagem, o Tifani tem permanecido circulando na área onde foi interceptado, segundo dados de rastreamento analisados pela CNN Internacional.

Ainda não está claro o que acontecerá com o navio e sua carga de petróleo.

A embarcação é alvo de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA.

Em fevereiro, o Departamento de Justiça dos EUA entrou com uma ação para apreender um petroleiro venezuelano ligado ao Irã — e sua carga de 1,8 milhão de barris — e transferi-los ao governo americano.

Após a apreensão do Touska no domingo, analistas disseram que ele será inspecionado e que sua carga será verificada. O navio e sua carga podem se tornar propriedade dos EUA se forem considerados “prêmio de guerra”.

O Irã já prometeu retaliar a apreensão “criminosa” da embarcação, que, segundo seu Ministério das Relações Exteriores, viola o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.

Desde então, o país se recusou a enviar uma delegação para uma nova rodada de negociações de paz no Paquistão.

Independentemente do destino do Tifani e do Touska, por enquanto a estratégia não parece aproximar o Irã da mesa de negociações.

Ao menos no curto prazo, a expansão da zona de conflito para áreas mais distantes do oceano tende a endurecer ainda mais a posição de Teerã.

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