Frota ‘mosquito’ do Irã desafia potências e mantém ameaça no estreito de Ormuz
Embarcações leves e táticas irregulares assustam EUA e Israel e elevam riscos para o transporte global de petróleo
Internacional|Do R7
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A chamada “frota mosquito” do Irã segue como um dos principais fatores de instabilidade no estreito de Ormuz, mesmo após a destruição de grande parte da marinha convencional do país em ataques recentes conduzidos por Estados Unidos e Israel.
Formada por pequenas embarcações rápidas, ágeis e de difícil detecção, essa força naval é operada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, separado da marinha regular iraniana. Especialistas descrevem o grupo como o núcleo da estratégia marítima do país para pressionar rotas comerciais estratégicas.
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As lanchas, muitas vezes armadas com metralhadoras, foguetes, mísseis ou drones, são projetadas para ataques rápidos e dispersão imediata. Algumas alcançam velocidades superiores a 100 nós, o equivalente a mais de 180 km/h, o que dificulta qualquer resposta em tempo hábil.
Durante o conflito recente, ao menos 20 embarcações comerciais foram atacadas na região, segundo a Agência Marítima Internacional da ONU. Analistas avaliam que muitos desses ataques foram realizados por drones lançados a partir de bases móveis em terra, o que torna a autoria difícil de comprovar.
Mesmo com perdas significativas, incluindo cerca de metade das lanchas de ataque rápido, o tamanho total da frota permanece incerto. Estimativas variam de centenas a milhares de embarcações, muitas delas pequenas demais para serem identificadas por satélite.
Esses barcos ficam escondidos em bases fortificadas e cavernas ao longo da costa iraniana, prontas para mobilização em poucos minutos. O país mantém pelo menos dez dessas instalações, além de presença militar em dezenas de ilhas no Golfo Pérsico.
Tática de guerrilha
A estratégia iraniana aposta em guerra assimétrica. Em vez de confrontos diretos com grandes navios, a força atua com táticas de guerrilha naval, realizando ataques rápidos e imprevisíveis.
A origem desse modelo remonta à década de 1980, durante a guerra entre Irã e Iraque. Na época, a relutância da marinha regular em atacar petroleiros levou à criação de uma força paralela mais agressiva, voltada para atingir interesses econômicos de adversários.
Episódios históricos, como o ataque a navios-tanque e o confronto com forças americanas após a explosão de uma mina que quase afundou o USS Samuel B. Roberts, reforçaram a percepção iraniana de que não poderia vencer batalhas convencionais contra os Estados Unidos.
Desde então, Teerã passou a investir em meios mais baratos, difíceis de detectar e facilmente substituíveis. A lógica é simples: tornar o trânsito marítimo arriscado, mesmo sem controle total da região.
Essa estratégia continua válida em 2026. Apesar da superioridade militar americana, navios de guerra evitam permanecer dentro do estreito, devido ao espaço limitado de manobra e ao curto tempo de reação contra ataques com drones ou mísseis.
A aplicação do bloqueio naval dos Estados Unidos ocorre, portanto, fora da área mais crítica, em regiões como o Golfo de Omã e o Mar da Arábia, onde as embarcações ficam menos vulneráveis às ações iranianas.
Risco ao comércio de petróleo
Ainda assim, o impacto da “frota mosquito” vai além do campo militar. O estreito de Ormuz é responsável por cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, o que transforma qualquer ameaça à navegação em um risco direto à economia global.
Analistas destacam que o Irã não precisa fechar completamente a passagem para causar impacto. Bastam ataques pontuais para elevar o custo do transporte e gerar insegurança entre armadores e mercados.
A combinação de baixo custo, mobilidade e capacidade de causar danos significativos mantém a força como um elemento central da estratégia iraniana.
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