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Haitiano trabalha 7,5 dias para comprar os mesmos alimentos que canadense compra em 2,8 horas

Levantamento da organização World Vision aponta para um aumento global de 14% no preço dos alimentos só em 2021

Internacional|Do R7

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Médicos lutam para nutrir adequadamente crianças na Somália
Médicos lutam para nutrir adequadamente crianças na Somália

Um relatório divulgado pela organização World Vision revelou o abismo alimentar entre nações ao redor do mundo. De acordo com o levantamento, um haitiano precisa trabalhar 7,5 dias para comprar os mesmos alimentos que um canadense leva 2,8 horas para adquirir.

Os números se tornam ainda mais discrepantes quando analisado o poder aquisitivo dos moradores da República Democrática do Congo e de Singapura. Segundo o relatório, congoleses trabalham até 17,2 dias para adquirir a mesma refeição que um singapuriano conseguiria em apenas 1,7 hora.


De acordo com a diretora de Resposta Global à Fome da World Vision, Mary Njeri, um dos responsáveis pelo abismo alimentar atualmente é a inflação que o setor sofreu por conta de três questões: Covid-19, guerras e mudança climática.

“A maioria das pessoas em todo o mundo estão experimentando o impacto do aumento dos preços dos alimentos, mas para alguns, isso tem consequências potencialmente mortais”, explica Njeri.


Ainda segundo o relatório, o preço dos alimentos subiu mais de 14% no mundo em 2021. Esses números, porém, impactaram com maior força nações mais pobres. No Sudão, por exemplo, a comida aumentou 143%, enquanto na Inglaterra a inflação no setor chegou a 5%.

“Quase 50 milhões de crianças estão tão abaixo do peso que enfrentam um risco maior de morte. O número de pessoas com fome aguda aumentou 25% desde o início do ano, e a não ser que tomemos medidas urgentes mais famílias terão dificuldade em se alimentar”, acrescenta Njeri.


Ao redor do mundo, ao menos 345 milhões de famílias sofrem com fome aguda. Os mais atingidos pelo risco de desnutrição são crianças em zonas de conflito, deslocadas por conta de guerras ou em trânsito migratório.

Fome na América Latina

Crise na Venezuela faz com quem população do país fuja para outras nações do continente
Crise na Venezuela faz com quem população do país fuja para outras nações do continente FEDERICO PARRA/AFP

Apesar de não viver nenhuma grande guerra, alguns países da América Latina sofrem economicamente e, como consequência, as populações dessas nações perdem o poder de compra, criando uma dificuldade maior para comprar alimentos.


“Em países como Haiti, Honduras, Guatemala ou Venezuela — este último sofre de hiperinflação crônica — para muitas famílias o acesso a alimentos é limitado devido aos altos níveis de pobreza e desemprego em vigor”, disse João Diniz, líder regional da Visão Mundial América Latina e Caribe.

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Nações com economia e política mais estável que os vizinhos, como a Colômbia, também acabam sofrendo com a migração de pessoas de países em crise. Em 2021, colombianos, e os 2,5 milhões de venezuelanos que vivem por lá, enfrentaram uma inflação no preço dos alimentos de 23%.

"É por isso que, a nível global, a busca por soluções sustentáveis requer dois fatores fundamentais: a vontade política para cessar os conflitos, a prevenção e mitigação urgente dos efeitos das mudanças climáticas e o fornecimento de ajuda humanitária imediata para a sobrevivência das crianças e famílias mais vulneráveis", conclui Njeri.

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