Hollande pede apoio à oposição síria e o fim da violência
Internacional|Do R7
Paris, 29 ago (EFE).- O presidente da França, François Hollande, considerou nesta quinta-feira que uma solução política na Síria só vai acontecer se a oposição surgir como uma alternativa e se a comunidade internacional for capaz de interromper a escalada da violência no país. Hollande fez esse pedido depois de se reunir com Ahmad Jarba, chefe da Coalizão Nacional Síria (CNFROS). O presidente francês afirmou mais uma vez que a CNFROS é "a única representante do povo sírio" aos olhos da França e de grande parte da comunidade internacional. No fim da reunião, Hollande ressaltou que "deve-se fazer tudo o que for possível para uma solução política, mas ela não vai ocorrer se a coalizão não for capaz de se apresentar como uma alternativa com a força necessária, principalmente de seu Exército". E, ao mesmo tempo, deixou claro que para conseguir esse objetivo político "a comunidade internacional tem que interromper a escalada de violência, na qual a massacre químico (da última quarta-feira) não é mais que uma ilustração". "A França vai fornecer toda sua ajuda política, como vem fazendo há meses, mas também ajuda humanitária e material, e utilizará o apoio dos países do Golfo", disse o presidente. Fontes diplomáticas explicaram hoje à imprensa que o objetivo da França é aumentar a pressão política sobre o regime de Bashar al Assad e evitar a repetição desse ataque "desprezível", como o presidente francês classificou o uso de armas químicas. Hollande intensificou suas consultas nos últimos dias, principalmente com EUA, Reino Unido e Alemanha, mas a decisão de se fazer uma intervenção militar no país se mantém como uma prerrogativa sua, por isso as discussões no Parlamento em relação ao assunto não serão submetidas a uma votação. O Ministério da Defesa anunciou hoje que o Exército está "em posição para responder aos pedidos do presidente" se ele decidir por uma intervenção de suas tropas na Síria, mas não deu detalhes de como poderia ser essa mobilização, segundo as fontes diplomáticas, para não "enfraquecê-la". Por esse mesmo motivo também não serão divulgados detalhes, por enquanto, sobre o reforço militar prometido por Hollande à CNFROS nesta semana. O ataque da última quarta-feira, que segundo Jarba foi um "massacre químico" com "mais de 1,4 mil mártires e milhares de feridos", não pode ficar impune, reivindicou hoje o chefe da oposição. O regime de Assad e sua "máquina de morte" serão castigados, assegurou Jarba em Paris, e considerou necessária uma força internacional, das Nações Unidas, "organizada pelos amigos da Síria". Com a iniciativa francesa no conflito sírio, segundo a imprensa, Hollande retomou a liderança militar que mostrou quando decidiu intervir no Mali em janeiro, mas o apoio majoritário mostrado em um primeiro momento pela classe política francesa não está isento de fissuras. Embora a Presidência insista que não há nenhuma decisão tomada, dois ex-primeiros-ministros - François Fillon e Dominique de Villepin - advertiram que os alvos militares devem ser definidos com "extrema precisão" para não desencadear uma guerra da qual não se sabe as consequências, publicou hoje o "Le Monde". A população também parece dividida: 59% dos franceses, segundo uma pesquisa do jornal "Le Figaro", afirmou ser contrária a uma possível intervenção militar da França, e 55% se mostraram a favor de uma resposta através das Nações Unidas, contra 45% que se diz contra. Enquanto isso, a ONU expressou seu desejo que seja dado tempo para os inspetores terminarem seu trabalho, que informarão o secretário-geral, Ban Ki-moon, dos primeiros resultados de suas pesquisas logo após deixarem o território sírio no sábado de manhã. EFE mgr/rpr (foto)












