Irã anuncia primeiro ataque direto na Síria, após sexto dia de bombardeios dos EUA
Teerã afirma ter disparado mísseis e drones contra bases militares americanas em países vizinhos no Oriente Médio
Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo e Reuters
O Irã afirmou ter lançado novos ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio nesta sexta-feira (17), incluindo o primeiro ataque direto na Síria, após a sexta noite consecutiva de ataques dos EUA contra instalações militares iranianas.
Uma trégua firmada no mês passado acabou se transformando em ataques e contra-ataques diários, paralisou praticamente todo o tráfego marítimo no estratégico estreito de Ormuz e despertou novas preocupações entre os investidores quanto às repercussões para a economia global da guerra iniciada pelos EUA e por Israel em fevereiro.
As Forças Armadas dos EUA informaram ter concluído mais uma noite de ataques contra o Irã “para enfraquecer ainda mais as capacidades militares iranianas”, incluindo na Ilha de Qeshm e nas proximidades de Bandar Abbas, onde fica o maior porto do Irã, bem como em instalações navais e da Guarda Revolucionária de grande importância.
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“As forças dos EUA, incluindo caças, drones aéreos e navios de guerra, dispararam munições de precisão que atingiram dezenas de alvos militares iranianos, como instalações de vigilância costeira e de defesa aérea, infraestrutura logística militar e capacidades marítimas”, afirmou o Comando Central dos EUA em comunicado.
Primeiro ataque na Síria
Um civil foi morto em um ataque dos EUA na área de Pasabandar, perto da cidade portuária de Chabahar, no sudeste do Irã, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
O Irã disparou mísseis e drones contra bases militares dos EUA em países vizinhos, incluindo uma base aérea na Jordânia.
Na madrugada desta sexta-feira, as Forças Armadas do Irã afirmaram ter atacado instalações dos EUA no Bahrein e no Kuwait.
Vários sons semelhantes a explosões foram ouvidos na capital do Catar, Doha, segundo uma testemunha, e o Ministério do Interior informou que uma criança ficou ferida por estilhaços.
A mídia iraniana informou que cinco pontes foram atingidas na última rodada de ataques dos EUA, assim como a estação ferroviária na cidade costeira de Bandar Khamir e o aeroporto de Iranshahr, no sudeste do Irã.
Sete pessoas morreram nos ataques dos EUA a pontes em Bandar Khamir, uma cidade portuária no sul do Irã, informou a agência de notícias estatal IRNA.
A mídia estatal iraniana informou que a Guarda Revolucionária atacou um centro de comando de operações especiais dos EUA em al-Tanf, na Síria, em retaliação à morte de soldados iranianos em Iranshahr.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente essas informações.
Este é o primeiro ataque direto do Irã à Síria, que tem procurado evitar ser arrastada para um conflito que já envolveu países vizinhos.
No Líbano, combatentes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, enfrentaram as forças israelenses, e no Iraque, grupos armados apoiados pelo Irã lançaram ataques com drones e foguetes.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado e destruído um sistema de radar naval nas Rochas de Salameh e um radar de controle aéreo dos EUA na área de Ghannem, em Omã, segundo informou a mídia estatal iraniana.
Tráfego paralisado no estreito de Ormuz
A escalada dos ataques interrompeu mais uma vez, em grande parte, o tráfego pelo estreito de Ormuz, a rota marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo e gás, elevando os preços do petróleo e gerando novas preocupações quanto ao efeito cascata sobre a inflação.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou que, enquanto os Estados Unidos continuarem os ataques contra alvos iranianos, não haverá nenhuma exportação de petróleo e gás da região e acrescentou que o controle total do estreito de Ormuz permanece nas mãos de Teerã.
Teerã retomou o bloqueio do estreito, e Washington voltou a bloquear os portos iranianos desde quarta-feira (15).
O Irã sinalizou que poderia incitar seus aliados houthis no Iêmen a fechar outro estreito estratégico: o de Bab al-Mandeb, na foz do mar Vermelho, segundo fontes ouvidas pela Reuters, caso Washington ataque a infraestrutura iraniana.
Na semana passada, o Irã atacou navios que passavam por um corredor no estreito. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em uma coletiva na quinta-feira (16) que o presidente Donald Trump não iria “ficar de braços cruzados e permitir que esses atos de terrorismo ocorram no estreito sem garantir que o Irã arque com as consequências disso”.
Mas ela acrescentou que o presidente está “sempre aberto à diplomacia, ao mesmo tempo”.
Fontes iranianas afirmaram que o objetivo do Irã era estabelecer sua autoridade sobre o estreito, embora Teerã não estivesse interessada em uma escalada que comprometesse o memorando de entendimento de junho, que ainda considera ter lhe concedido a maior parte do que buscava.
Moradores com medo
No Irã, a retomada dos bombardeios deixou os moradores nervosos.
“Viver com esse medo de que a guerra possa recomeçar é muito desgastante. Não dá para viver assim... Pessoalmente, quero que a diplomacia prevaleça”, disse Mahlegha, 46, funcionária pública, à Reuters de Teerã, pedindo que seu sobrenome fosse omitido por motivos de segurança.
O Irã quer que todos os navios que utilizam o estreito de Ormuz passem por um canal próximo à sua costa e pretende cobrar taxas de passagem ao final de um período de negociação de 60 dias estabelecido no memorando do mês passado.
Washington havia incentivado os navios a usarem uma rota alternativa ao sul, ao longo da costa de Omã.
As Forças dos EUA afirmaram que seus ataques aéreos atingiram alvos militares ao longo da costa para paralisar a capacidade do Irã de controlar o estreito.
O porta-voz do Exército iraniano, o brigadeiro-general Mohammad Akraminia, disse na quinta-feira que isso não funcionaria, pois o Irã poderia atacar o estreito de qualquer ponto de seu território.
Trump não descartou a possibilidade de usar forças terrestres, inclusive para tomar a Ilha de Kharg, local do principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Ele tem ameaçado repetidamente atacar usinas de energia e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações.
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