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Jovens da China estão ‘fugindo do trabalho para priorizar emoções’, diz agência de espionagem

Reações negativas nas redes sociais revelam um descompasso entre as autoridades chinesas e a juventude

Internacional|Sylvie Zhuang, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A agência de espionagem da China alerta que jovens estão sendo manipulados a priorizar suas emoções em vez do trabalho duro.
  • O conceito de "ficar deitado", que desencoraja a busca pelo sucesso tradicional, ganhou força entre a juventude.
  • A economia chinesa enfrenta desafios, como a pandemia e a queda no mercado imobiliário, levando a uma perspectiva de crescimento baixa.
  • A postagem da agência recebeu críticas nas redes sociais, revelando um descompasso entre a visão das autoridades e a de muitos jovens sobre o trabalho e suas expectativas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O conceito de "ficar deitado" ganhou força como uma reação ao esforço incessante por sucesso Greg Baker/AFP/Getty Images via CNN Newsource

A principal agência de espionagem da China saiu das sombras para alertar que seus jovens estão sendo enganados por forças estrangeiras para fugir do trabalho duro e priorizar suas emoções individuais em detrimento do desenvolvimento nacional. Isso não repercutiu bem na internet.

“Os jovens são o futuro da China e também se tornaram um alvo primário para a infiltração ideológica de forças hostis anti-China no exterior”, diz um jovem bonito vestindo uniforme militar em um vídeo postado pela conta oficial do Ministério da Segurança do Estado na semana passada.


A postagem alertou os jovens a ficarem vigilantes contra “armadilhas de opinião complexas” e quaisquer narrativas de “ficar deitado” que propaguem a mensagem de que o trabalho duro é inútil.

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O fato de que o trabalho árduo na economia cada vez mais implacável da China é, de fato, inútil, é uma opinião que vem ganhando força nos últimos anos — e está sintetizada na frase “ficar deitado”.


A frase aparentemente tem suas origens em uma postagem de 2021 em um fórum online administrado pela gigante de buscas chinesa Baidu.

O autor daquela postagem, agora deletada, sugeriu que, em vez de trabalhar a vida inteira em busca de um apartamento e valores familiares tradicionais, as pessoas deveriam buscar uma vida simples.


A ideia decolou nos últimos anos.

Embora a economia da China abrigue IA (Inteligência Artificial) de ponta e desenvolvimentos tecnológicos, ela sofreu impactos da pandemia de Covid-19 e de uma queda no mercado imobiliário, além de ter sido atingida por uma recente guerra comercial com os EUA.


Em março, Pequim estabeleceu sua meta de crescimento mais baixa em décadas, enquanto a segunda maior economia do mundo enfrenta uma demanda interna fraca e uma perspectiva global incerta.

A postagem do ministério continuou dizendo que havia descoberto recentemente casos de governos e organizações estrangeiras financiando influenciadores na China e usando plataformas online para ampliar as ansiedades sociais entre a juventude chinesa.

“Ao fabricar emoções negativas, eles tentam elevar as dificuldades individuais a antagonismos de grupo mais amplos, fazendo com que os jovens sejam sutilmente enganados e levados sem perceber”, afirmou.

“Finalmente, isso visa corroer o espírito de trabalho árduo entre a juventude da China e até mesmo minar os alicerces dos valores sociais”, concluiu a postagem.

Não demorou muito para que a postagem fosse criticada nas redes sociais.

Alguns usuários perguntaram por que a agência de espionagem não foi mais específica sobre quais países estrangeiros estariam supostamente pagando dinheiro – para que pudessem entrar em contato.

“Eu já estou ‘deitado’ há tanto tempo, por que ninguém me contou sobre essa coisa boa antes?”, dizia uma postagem.

“Uau, até as forças estrangeiras sabem que devem pagar as pessoas pelo seu trabalho”, dizia outra postagem, referenciando incidentes amplamente relatados de algumas empresas na China atrasando pagamentos de salários durante períodos de desaceleração econômica.

Ruby Osman, uma conselheira sênior de políticas especializada em China no Tony Blair Institute for Global Change (Instituto Tony Blair para Mudança Global), disse que a reação negativa mostra que “existe um grande descompasso entre como as autoridades e muitos jovens veem o ‘ficar deitado’”.

“Para a maioria dos usuários de redes sociais, ‘ficar deitado’ é parte piada interna, parte mecanismo de enfrentamento — não algo que precise ser elevado a uma questão de segurança nacional”, disse Osman.

O Ministério da Segurança do Estado da China aumentou seu perfil nos últimos anos.

Ele posta regularmente artigos no WeChat, a plataforma de mídia social mais popular da China, alertando as pessoas a ficarem vigilantes contra forças estrangeiras que buscam obter acesso a segredos de Estado.

De acordo com o ministério, espiões estrangeiros estão se infiltrando em tudo, desde aplicativos de mapeamento até estações meteorológicas.

Ele também postou detalhes do que afirma serem atividades de espionagem realizadas por agências de espionagem americanas e britânicas, e detalhou como cidadãos chineses que estudam ou trabalham no exterior teriam sido recrutados pela CIA (Agência Central de Inteligência).

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