"Kerry não perde o sono por conta dos comentários de Putin", diz porta-voz
Internacional|Do R7
Washington, 5 set (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse não se importar com as declarações de Vladimir Putin, que o chamou de mentiroso por suas palavras sobre o papel da Al Qaeda na Síria, afirmou nesta quinta-feira o Departamento de Estado, que tachou o comentário de "absurdo". Kerry é "um condecorado veterano de guerra. Muita gente disse palavras dirigidas contra ele, mas ele não está perdendo o sono por conta desse cometários", disse em entrevista coletiva a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. Segundo Psaki, os comentários de Putin se basearam em "em algo que foi completamente mal interpretado". Psaki não conseguiu precisar se este incidente foi tratado hoje durante uma conversa telefônica entre Kerry e o chanceler russo, Serguei Lavrov, na qual falaram sobre a situação na Síria. Na quarta-feira, Putin chamou Kerry de mentiroso porque, segundo o presidente russo, o americano mentiu perante o Congresso sobre a presença da Al Qaeda na Síria. "Unidades da Al Qaeda são as principais fileiras militares e as autoridades americanas sabem disso. Achei desagradável e surpreendente, porque falamos sobre isso, mas Kerry está mentindo e sabe que está mentindo. É triste", disse Putin durante uma reunião do Kremlin. Putin se referia a uma conversa de terça-feira entre Kerry e o senador republicano de Wisconsin Ron Johnson, quando este lhe perguntou sobre as tendências cada mais extremistas da oposição síria. "Parece que, a princípio, a oposição era talvez mais pró Ocidente, mais moderada, mais democrática. Com a passagem do tempo, se degradou (a oposição), foi cada mais infiltrada pela Al Qaeda", observou Johnson. Kerry então disse que "na realidade isso não é certo. Em essência é incorreta", e insistiu que a oposição cada vez mais se define por sua "moderação" e sua adesão "a um processo democrático". Em 16 de agosto, em uma aparição conjunta com o chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, Kerry admitiu que muitos líderes da Al Qaeda operam na Síria, onde cooperam com grupos insurgentes sunitas para derrubar o regime de Bashar al-Assad. Nessa ocasião, Kerry disse que a rede da Al Qaeda "se estende além das fronteiras do Iraque" e perante a presença de muitos de seus líderes na Síria, "é preciso acelerar o trabalho para estabelecer condições para um acordo diplomático para a crise síria". Em dezembro, o Governo dos EUA designou a Frente Nursa, parte da oposição síria, como um grupo terrorista ligado à Al Qaeda no Iraque. Seis meses depois, a Administração de Obama decidiu dar apoio militar à oposição síria. Psaki insistiu hoje em que o regime sírio tem que responder por seu ataque com armas químicas de 21 de agosto, e que a falta de ação ajudaria "em futuras consequências". Kerry afirmou na quarta-feira perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes que tem "100%" de certeza que, se a comunidade internacional não atuar, o presidente sírio, Bashar al-Assad, voltará a usar as armas químicas no conflito civil na Síria. EFE mp/ff









