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Lava Jato: investigados 'compraram' visto europeu, diz jornal

Executivos da Andrade Gutierrez teriam trocado imóveis por documento

Internacional|Ana Luísa Zucchi, do R7

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Otávio Azevedo teria comprado propriedade em Lisboa em troca de visto português
Otávio Azevedo teria comprado propriedade em Lisboa em troca de visto português

Executivos brasileiros envolvidos em casos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato teriam comprado, secretamente, vistos europeus por meio do governo de Portugal. Entre os envolvidos, estariam Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, e Sérgio Lins Andrade, principal acionista da construtora. As informações foram publicadas no jornal britânico The Guardian nesta segunda-feira (18).

Em 2014, Azevedo — que foi condenado a 18 anos de prisão domiciliar em 2016 — teria comprado uma propriedade de 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 5.606.157,00) em Lisboa e, em seguida, solicitado um "visto de ouro" para morar em Portugal. Sérgio Lins Andrade, por sua vez, teria adquirido um imóvel de 665 mil euros (cerca de R$ 2.485.396,00) em troca do documento. Além dos empresários do Brasil, parentes de um político de Angola acusados de suborno também estariam envolvidos no esquema para a obtenção de visto.


De acordo com o periódico, os envolvidos pagam centenas de milhares de euros para obter o "visto de ouro" português. No domingo (17), o The Guardian havia revelado que milionários da Rússia e da Ucrânia receberam a cidadania de Chipre em troca de investimentos no país.

Os vazamentos de informações envolvendo os governos de Portugal e Chipre evidenciam esquemas de compra e venda dos "vistos de ouro" — em que países concedem passaportes, cidadania ou vistos afim de obter investimentos de indivíduos ricos.


Em Portugal, o programa chamado "permissão para residência de ouro" requer que os solicitantes invistam 500 mil euros (cerca de R$ 1.868.719,00) em propriedades no país em troca de visto para residência permanente. Após cinco anos, essa residência pode ser convertida em cidadania — neste caso, os investidores adquirem o direito de viver e trabalhar em todos os países da Europa sob as regras da UE (União Europeia).

Dados do governo português apontam que 66% dos "vistos de ouro" concedidos desde 2012 se deram para chineses — ainda que na China seja ilegal a um cidadão transferir mais de 50 mil dólares para fora do país no período de um ano.


Os casos de corrupção envolvendo compra e venda de propriedade preocupam experts em crimes financeiros: o setor imobiliário, diz o The Guardian, representa um importante potencial para a lavagem de grandes quantias em uma única transação.

O "visto de ouro" português já esteve no centro de outros escândalos em 2011, quando 11 pessoas do governo foram presas por suborno na concessão do documento para estrangeiros. 

O Portal R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa e com a defesa dos executivos da Andrade Gutierrez para esclarecer as alegações. A empresa informou, em e-mail enviado ao R7, que não comentará o caso. 

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