Li Keqiang diz que não há alternativa para reformas econômicas
Internacional|Do R7
Pequim, 17 mar (EFE).- O recém nomeado primeiro-ministro da China, Li Keqiang, garantiu neste domingo que a potência asiática "não tem outra alternativa a não ser fazer as reformas" de seu modelo econômico, que classificou como "o futuro da nação". "Para isso necessitaremos de coragem, sabedoria e persistência", declarou Li em sua primeira entrevista coletiva como primeiro-ministro - com perguntas previamente acordadas -, realizada hoje no Grande Salão do Povo em Pequim, após o encerramento da Assembleia Popular Nacional (ANP), o parlamento chinês. Ao lado de seus quatro vice-primeiros-ministros, nomeados ontem e dentre os quais há um jovem reformista (Wang Yang), Li garantiu que "ainda há espaço para a melhora da economia socialista", e destacou várias áreas nas quais são necessárias reformas. Entre elas, ressaltou a necessidade de melhorar o sistema de seguridade social e reduzir as desigualdades econômicas existentes entre a população chinesa, sobretudo entre a urbana e a rural. "É preciso garantir que todo o mundo tenha acesso à riqueza", disse, e especificou que trabalhará para cobrir as necessidades básicas dos cidadãos, como educação e saúde. Li, encarregado de comandar a economia do gigante asiático, afirmou que também vai buscar reformas no sistema orçamentário, tributário e financeiro, a fim de torná-lo "mais inclusivo e eficaz". Além disso, destacou que vai apostar na entrada de capital privado em alguns setores, como as ferrovias (cujo Ministério acaba de ser dissolvido pelo Parlamento) e a geração de energia, entre outros. O líder afirmou que os principais desafios do país são manter "um crescimento econômico sustentável e prevenir a inflação (que cresceu 3,2% em fevereiro, o maior índice em dez meses)". O governo estabeleceu como meta de inflação um máximo do 3,5% anuais, e determinou que o crescimento econômico deve atingir o mesmo índice do ano passado de 7,5%. Perguntado se a China poderá combinar o crescimento econômico com a proteção do meio ambiente, já bastante degradado, Li assegurou que o governo vai fazer um "vigoroso esforço para combater a poluição". "Sei que todo o mundo está muito preocupado por isso. Estabeleceremos objetivos e datas", e garantiu que as "medidas se tornarão públicas para que a população e os meios de comunicação possam supervisioná-las". "Não devemos buscar o crescimento econômico em detrimento do meio ambiente". A mesma política, disse, será aplicada à segurança alimentar - um "assunto de grande importância", definiu Li - quando se acumulam escândalos pela distribuição de alimentos tóxicos e a má qualidade das principais fontes de água potável. Como fez anteriormente o presidente Xi Jinping em seu discurso de encerramento da Assembleia Nacional Popular (ANP), Li manifestou seu compromisso na luta contra a corrupção, garantiu que será criado um mecanismo para preveni-la e enfrentá-la, e destacou que o combate à mesma será em todos os níveis. Sobre a crescente urbanização do país, Li alertou que deve ser feita de forma "prudente", mas reconheceu que se trata de "uma tendência inevitável". "A urbanização é um projeto grande e complexo que acarreta em profundas mudanças sociais e econômicas. Necessita do suporte de reformas integradas em várias áreas", disse Li aos jornalistas. O primeiro-ministro, que substituiu Wen Jiabao na sexta-feira passada, garantiu também que apresentará um plano de reforma dos polêmicos campos de trabalho forçado neste ano. EFE pav/rpr









