Líder da Ucrânia vai a cúpula da UE, mas não deve assinar acordo
Internacional|Do R7
Por Natalia Zinets e Richard Balmforth
KIEV, 26 Nov (Reuters) - O presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, disse na terça-feira que participará nesta semana de uma cúpula da União Europeia, mas, criticando o bloco pela "humilhante" oferta de auxílio financeiro, declarou que só assinará um acordo de livre comércio quando isso convier aos interesses da Ucrânia.
Adequar a economia da Ucrânia aos padrões da Europa exigiria nada menos do que 20 bilhões de dólares por ano, disse ele a uma televisão.
O governo de Yanukovich anunciou na semana passada que havia arquivado os planos para assinar um histórico acordo com a União Europeia durante a cúpula em Vilna, na Lituânia, o que causou perplexidade entre os líderes da UE e desencadeou protestos pró-UE na ex-república soviética.
A preferência ucraniana por reafirmar a cooperação econômica com Moscou reacendeu temores ocidentais de que a Ucrânia estaria voltando à esfera de influência russa.
Yanukovich na terça-feira confirmou que irá de qualquer forma a Vilna. Mas, logo depois, numa entrevista pela TV, atacou duramente a UE, acusando-a de oferecer apenas 610 milhões de euros (827,2 milhões de dólares) e de condicionar isso a um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional.
"Durante três anos em sucessão, eles mostraram esse doce num lindo embrulho para nós... Não precisamos ser humilhados assim. Somos um país sério, europeu", disse ele.
"Quando corresponder aos nossos interesses, quando tivermos concordado (com a UE) a respeito de condições normais, aí poderemos considerar assinar. Quando vamos assinar? Cedo ou tarde? Eu gostaria que fosse o mais rápido possível..., mas a questão é de princípio para nós", disse Yanukovich.
Paralelamente, pelo site da Presidência, ele disse que adequar a economia ucraniana aos padrões europeus custaria 20 bilhões de dólares por ano.
O acordo de Vilna marcaria uma guinada definitiva de Kiev na direção do Ocidente, afastando esse país da Rússia, que vê a Ucrânia como parte da sua esfera de influência política e econômica.
Suas palavras fortes depois da guinada ucraniana, resultado de anos de negociações com a UE, definiu o cenário para um encontro que provavelmente será tenso entre Yanukovich e os 28 líderes da UE, num jantar na quinta-feira na capital lituana.
(Reportagem adicional de Pavel Polityuk e Thomas Grove)









