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Líderes da Unasul exigem desculpas de Espanha, França, Itália e Portugal

Internacional|Do R7

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La Paz, 4 jul (EFE).- Os presidentes de seis países-membros da Unasul exigiram nesta quinta-feira que Espanha, França, Itália e Portugal peçam "desculpas públicas" por terem fechado seus espaços aéreos para o avião oficial do presidente boliviano, Evo Morales, na última terça-feira. Em uma reunião de emergência na cidade boliviana de Cochabamba para examinar a crise aberta com a Europa por conta desse incidente, os chefes de Estado de Argentina, Bolívia, Equador, Suriname, Uruguai e Venezuela aprovaram uma declaração na qual também reivindicam que os governos dos países envolvidos no caso deem explicações sobre o ocorrido. O governo da Bolívia denunciou que a decisão de se negar o sobrevoo do avião presidencial ocorreu pela suspeita de que o ex-técnico da CIA Edward Snowden, procurado pelos Estados Unidos, estaria a bordo da aeronave. Consequentemente, o governo do país andino culpou os EUA pelo ocorrido. "A ofensa sofrida pelo presidente Morales atinge não somente o povo boliviano, mas todas as nossas nações", diz o manifesto, que foi lido pelo chanceler anfitrião, David Choquehuanca, após uma sessão plenária aberta na qual discursaram todas as delegações presentes. Na declaração foi incluída a Espanha entre os países que vetaram expressamente o sobrevoo do avião presidencial boliviano, apesar de o governo espanhol ter negado que havia uma proibição nesse sentido. Compareceram à reunião de apoio a Evo Morales na Bolívia os presidentes Rafael Correa (Equador), Cristina Kirchner (Argentina), Desiré Bouterse (Suriname), José Mujica (Uruguai) e Nicolás Maduro (Venezuela). O representante brasileiro foi o vice-chanceler Eduardo dos Santos. Peru, Colômbia e Chile enviaram seus embaixadores na Bolívia. "Denunciamos à comunidade internacional a flagrante violação dos tratados internacionais que regem a convivência pacífica entre nossos Estados, que constitui em um ato insólito, não amistoso e hostil, configurando um fato ilícito que afeta à liberdade de passagem e deslocamento de um chefe de Estado e sua delegação oficial", diz a declaração. O documentou também condenou "as práticas internacionais de espionagem que põem em risco os direitos dos cidadãos e a convivência amistosa entre as nações". O texto aprovado diz que "a inaceitável restrição à liberdade do presidente Morales, que o converteu virtualmente em um refém, constitui uma violação de direitos não só do povo boliviano, mas de todos os países e povos da América Latina". Também rejeitou "as violações das normas e princípios básicos do direito internacional, como a inviolabilidade dos chefes de Estado" e exigiu que os governos de França, Portugal, Itália e Espanha expliquem sua decisão e "apresentem as desculpas públicas correspondentes em relação aos graves acontecimentos". A declaração também respaldou a denúncia apresentada pela Bolívia ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos "pela grave violação dos direitos humanos e por ter colocado a vida do presidente Evo Morales em perigo real". Os chefes de Estado que compareceram à reunião apoiaram, além disso, o direito da Bolívia "realizar todas as ações que considere necessárias nos tribunais e instâncias competentes". Foi estabelecida a formação de uma comissão de acompanhamento e que os chanceleres dos seis países signatários deverão tomar as "ações necessárias para o esclarecimento dos fatos". Por último, o texto pediu que todos os presidentes dos Estados-membros da União das Nações Sul-americanas (Unasul) "acompanhem" a declaração e convocou "a ONU e outros organismos regionais a se pronunciarem sobre este fato injustificável e arbitrário". Horas antes da reunião, durante um ato com organizações sociais, Correa tinha denunciado que alguns presidentes da Unasul tentaram colocar obstáculos para este encontro na Bolívia, que inicialmente teria o caráter de uma cúpula de chefes de Estado da instituição. A situação vivida por Morales na terça-feira suscitou uma grave crise entre Europa e América Latina, onde todos os países apoiaram Morales e repudiaram o acontecido. EFE lcl-ja-gb/rpr (foto)

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