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Livros sobre escândalos do Vaticano se esgotam em livrarias

Avarizia e Via Crucis revelam segredos financeiros da Igreja Católica

Internacional|Ansa

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No dia de seu lançamento, os livros Avarizia (Avareza) e Via Crucis, dos jornalistas Emiliano Fittipaldi e Gianluigi Nuzzi, que revelam escândalos e segredos envolvendo as finanças do Vaticano, já se esgotaram em várias livrarias da Itália.

Nas principais lojas do centro de Roma, por exemplo, não havia mais cópias disponíveis, e os livreiros passaram a aceitar reservas dos interessados nas obras. Além disso, segundo uma unidade da livraria Feltrinelli na capital italiana, os dois volumes são comprados quase sempre juntos.


No site local da Amazon, Via Crucis e Avarizia ocupam as duas primeiras posições na lista de mais vendidos.

A obra de Fittipaldi é uma investigação que parte de documentos originais (cerca de 20 páginas do livro são de reproduções fotográficas de arquivos secretos), com a intenção de desvendar a riqueza, os escândalos e os segredos da Igreja de Francisco.


O jornalista recolheu com fontes confidenciais uma grande quantidade de documentos internos do Vaticano (atas, orçamentos e notificações) e, graças a eles, traça os primeiros mapas do império financeiro da Santa Sé.

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O livro chega em um momento crucial para o catolicismo, com o pontífice enfrentando resistências para mudar a gestão dos recursos financeiros da igreja. Entre outras coisas, Avarizia conta como centenas de milhares de euros foram gastos em voos de classe executiva, roupas sob medida e móveis finos. Além disso, a obra divulga um vasto patrimônio imobiliário em Itália, Reino Unido, França e Suíça. Apenas em Roma, seriam cerca de 5.000 apartamentos em posse do Vaticano. Outra denúncia acusa o IOR (Instituto para as Obras de Religião) de segurar recursos destinados a ações de caridade.


Em ambos os livros, os arquivos secretos são provenientes da Cosea (Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas da Santa Sé), criada por Francisco em 2013 para monitorar as contas vaticanas, mas já dissolvida. O monsenhor espanhol Ángel Vallejo Balda e a italiana Francesca Immacolata Chaouqui, que integravam o órgão, foram presos na última segunda-feira (2) acusados de vazar documentos confidenciais. Apenas a segunda foi colocada em liberdade.

O episódio fez com que o menor país do mundo revivesse o clima do Vatileaks, de 2012, quando arquivos sigilosos foram levados à imprensa e abalaram o pontificado de Joseph Ratzinger. O escândalo teve como pivô o mordomo de Bento 16, Paolo Gabriele.

Atualmente, há um clima conflituoso na Santa Sé pelo controle de suas finanças: de um lado está a Secretaria para a Economia, chefiada pelo cardeal australiano George Pell, expoente da ala conservadora da igreja; do outro, a Secretaria de Estado, comandada por Pietro Parolin, uma das pessoas mais próximas ao papa. 

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