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Maior facção dos talibãs paquistaneses abandona TTP

Internacional|Do R7

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Islamabad, 28 mai (EFE).- A organização que agrupa o grosso dos talibãs paquistaneses (TTP) sofreu um duro golpe, que pode ser definitivo, após o anúncio nesta quarta-feira de que sua maior facção deixou o agrupamento insurgente. A facção liderada por Khan Sayad, conhecido como 'Sajna', cortou os laços com Tehrik-el-Talibã Paquistão (TTP), o guarda-chuva comum criado em 2007 para juntar as atividades dos grupos islamitas armados do país asiático. Tariq Azam, porta-voz da facção rebelde, justificou a decisão de seu grupo por diferenças ideológicas com a direção da organização, como a algumas ações recentes da insurgência em locais públicos. Segundo o porta-voz, a atual direção permite atividades como a extorsão e o saque, e que as facções em geral se estão distanciando da orientação do TTP. "O TTP acabou", sentenciou à Agência Efe o analista Mansur Khan, oriundo das regiões tribais e bom conhecedor das dinâmicas insurgentes no país. Mas ele alertou que isso não significa o fim da insurgência talibã, "mesmo que agora tenham menos capacidade". De acordo com este analista, os dissidentes contam em suas fileiras com "quatro ou cinco mil homens, que é quase a metade de todos os que integram o TTP em conjunto". O grupo que anunciou sua separação protagonizou este ano um sangrento confronto com uma facção rival, a liderada por Sheryar Mehsud, pelo controle do núcleo duro do TTP. Sheryar era muito próximo a Hakimullah Mehsud, que liderou desde 2009 a organização que cobre o grosso dos talibãs paquistaneses e que morreu em outubro em um bombardeio de um drone americano. E 'Sajna' era braço direito de Waliur Rehman, o número dois do TTP e que também morreu em em um bombardeio americano em maio do ano passado. O conflito entre as facções, encenada na disputa pelo poder à frente do TTP, começou com a morte dos líderes e se intensificou depois de a cúpula insurgente rejeitar o que Sheryar considerava sua legítima aspiração, de ser o novo líder talibã após a morte de Hakimullah. "Na realidade, os seguidores de 'Sajna' nunca aceitaram a autoridade da nova liderança do TTP", afirmou o analista. Segundo ele, o processo de diálogo iniciado em fevereiro com o governo afundou nas diferenças entre grupos insurgentes. "Com a saída de 'Sajna' do TTP, quase não sobraram líderes da organização em solo paquistanês, já que quase todos fugiram para o outro lado da fronteira afegã", explicou. O TTP foi criado em 2007 sob a liderança de Baitullah Mehsud no calor da explosão da insurgência islamita contra o regime militar liderado então pelo general Pervez Musharraf. Segundo o mais recente relatório de um centro de estudos local, em 2013 houve no Paquistão mais de 1.700 ataques, 61% deles pelo TTP e seus aliados, que mataram cerca de 2.500 pessoas, 19% a mais que em 2012. EFE pmm/cd

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