Maior migração humana começa na China para celebrar Ano Novo Lunar
No total, são estimados 3 bilhões de deslocamentos durante os 40 dias do feriado. Pela tradição, os chineses precisam voltar ao lugar onde nasceram
Internacional|Do R7

Milhões de chineses iniciaram nesta segunda-feira (21) o conhecido "pico de viagens", um período de 40 dias no qual os moradores da China urbana viajam majoritariamente para as zonas rurais, aos seus locais de origem, para celebrar o Ano Novo Lunar
Na estação central de trem de Pequim, um "mar de pessoas" cheias de malas lotava o lugar desde a primeira hora da manhã.
O trem é um dos meios de locomoção predileto da população local e os números oficiais certificam esse gosto: duas semanas antes de começar o "chunyun" ("movimento de primavera"), a empresa de ferrovias da China já tinha vendido 200 milhões de passagens.
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Para ajudar a multidão viajante, um batalhão de 230 mil voluntários vestidos de azul se somaram à causa, embora quando eles se aproximavam para auxiliar os estrangeiros, um vigilante de segurança os impedia.
Esta nova edição da considerada maior migração humana do planeta não pegou as autoridades de Pequim desprevinidas, já que as mesmas são obsessivas com ordem e controle e o desdobramento de seguranças era bem visível tanto dentro como fora da estação.
Duplas de soldados do Exército de Libertação Popular vestidos com seus característicos uniformes verdes, policiais de azul escuro e até forças especiais com colete anti-balas, capacete e armas faziam rondas pelas instalações.
No entanto, a patrulha mais frenética era realizada pelo pessoal de limpeza, armado de latas de lixo sobre rodas, vassoura e pá, retirando os restos de comida que os viajantes engoliam nas salas de espera.
Nelas, presidia o cheiro de macarrões instantâneos comprados nas lojas de comida próximas.
Os que não comiam, ou tiravam um cochilo em posições nada confortáveis ou eram escravos de seus telefones celulares, nos quais viam filmes e séries, escutavam música e trocavam mensagens.
Ao proceder para o embarque, uma nova e longa fila emergia — uma mais, após a de coleta de passagens, a de acesso à estação e a de controle de segurança — e a maré humana chegava às plataformas de estação com parcimônia, salvo algum atrasado que sempre precisa correr para não perder o trem.
Para agilizar os acessos, as autoridades da província de Cantão puseram neste ano em andamento um sistema de viagem sem bilhetes, mediante o qual os passageiros pagam através de seus telefones celulares e passam pelos controles mediante o escaneio de um código QR.
Para poder dar conta da demanda, foram colocadas em andamento as clássicas medidas de contingência: quase 4,8 mil trens para ida e o mesmo número para a volta, antes e depois dos dias que rodeiam ao Ano Novo, no dia 5 de fevereiro.
Três quartos destes trens são de alta velocidade, ao qual se somam 532 mil voos, segundo a imprensa estatal.
No total são estimados quase 3 bilhões de deslocamentos durante estes 40 dias.
Por este motivo, estações e aeroportos seguirão mais cheios do que o habitual até o final do "chunyun", em 1 de março, quando a China já estará imersa no novo Ano do Porco.












