Manifestantes tailandeses intensificam campanha contra o governo
Internacional|Do R7
Por Pairat Temphairojana e Orathai Sriring
BANGCOC, 26 Nov (Reuters) - Quase 3.000 manifestantes de oposição se concentraram com bandeiras em frente ao Ministério do Interior da Tailândia, nesta terça-feira, intensificando a pressão contra a primeira-ministra Yingluck Shinawatra, um dia depois de terem invadido edifícios de dois outros ministérios.
Os manifestantes desafiaram uma rigorosa lei de segurança imposta na noite de segunda-feira em Bancoc com o objetivo de controlar dezenas de milhares de pessoas que protestam contra Yingluck e seu irmão bilionário, o ex-premiê Thaksin Shinawatra.
Agitando bandeiras tailandesas e soprando apitos, os manifestantes cercaram os ministérios do Interior, Agricultura, Turismo e Transportes, exigindo que os funcionários deixassem os edifícios e intensificando a tensão nas maiores manifestações de rua desde 2010, quando 91 pessoas foram mortas na repressão militar.
Yingluck e seu partido, o Puea Thai, iniciaram um debate de dois dias para a votação de uma moção de confiança no Parlamento, onde o governo tem sólida maioria. A oposição acusa a primeira-ministra e seu partido de corrupção e de tentarem aprovar leis que facilitariam livrar Thaksin das acusações de irregularidades. A expectativa é que a primeira-ministra vença a votação parlamentar na quinta-feira.
"Livrar-se do regime de Thaksin não é fácil", disse o ex-vice-premiê Suthep Thaugsuban, líder dos protestos, em entrevista à Reuters.
Thaksin, ex-magnata das telecomunicações, foi deposto por militares em 2006, mas paira qual um fantasma sobre a política tailandesa desde que fugiu do país, em 2008, quando foi acusado de abalar a monarquia local e violar leis sobre conflitos de interesses.
O político populista foi condenado a dois anos de prisão, mas permanece sendo um herói para os tailandeses pobres, na mesma medida em que é acusado pela tradicional elite da capital, composta por generais, burocratas de classe média e líderes empresariais, que apoiam maciçamente a oposição.
Após invadirem o Ministério das Finanças na segunda-feira e de atacarem os portões da chancelaria, os protestos da oposição continuaram na terça-feira.
"Nossa missão importante hoje é cercar os quatro ministérios importantes do governo", disse Watchara Ritthakanee, líder do protesto, a uma multidão que aplaudia e soprava apitos.
O governo fechou os ministérios cercados e dispensou os funcionários.
O Ministério do Interior --próximo do Palácio Real, principal atração turística do país-- está cercado por manifestantes, que no entanto não cumpriram sua promessa inicial de invadir o prédio.
Milhares de manifestantes tentaram se aproximar também do gabinete do primeiro-ministro, que está protegido por barricadas. Após 15 minutos de impasse com a polícia, eles se retiraram para o centro histórico da capital. Outro grupo se dirigia ao Ministério da Energia, que também foi desocupado.
No Ministério das Finanças, mais de mil manifestantes encheram um pátio, gritando "Fora! Fora!" contra o governo. Muitos acamparam lá durante a noite, em colchonetes de plástico.
(Reportagem adicional de Panarat Thepgumpanat, Amy Sawitta Lefevre e Andrew R.C. Marshall)









