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Maquinista de trem acidentado na Espanha "não entende" o que ocorreu

"Não estou tão louco a ponto de não frear", disse José Garzón ao juiz

Internacional|Do R7

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Garzón foi acusado de 79 homicídios por imprudência, mas ficou em liberdade sob controle judicial
Garzón foi acusado de 79 homicídios por imprudência, mas ficou em liberdade sob controle judicial RAFA RIVAS/AFP

O maquinista do trem acidentado em Santiago de Compostela afirma que não entende por que não freou a tempo e evitou a catástrofe, que deixou 79 mortos, em um trecho de seu depoimento perante o juiz publicado nesta quarta-feira (31) pelo jornal El País.

"Meritíssimo, sinceramente digo que não sei, não estou tão louco a ponto de não frear", explica o maquinista Francisco José Garzón Amo durante seu interrogatório no domingo (28) pelo juiz Luis Aláez.


No dia 24 de julho às 20h42 (15h42 de Brasília), o trem procedente de Madri com mais de 250 pessoas a bordo descarrilou em uma curva perigosa a 4 km da estação de Santiago, uma zona onde a linha, de alta velocidade até esse momento, se transforma em via convencional e a velocidade se limita a 80 km/h.

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"Você ativou o freio em algum momento?", pergunta o juiz.

Sim, mas "já era inevitável", responde o maquinista neste trecho de áudio publicado no site do jornal.


"Não tive tempo para nada", reconhece o homem, visivelmente alterado. "Não dou uma explicação porque não entendo até agora [o que aconteceu]", afirma quando o juiz pergunta por que não reduziu antes a velocidade do trem.

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As primeiras informações fornecidas na terça-feira pelas caixas-pretas do trem revelaram que ele circulava a 192 km/h poucos quilômetros antes do acidente e que freou apenas segundos antes de descarrilar, a 153 km/h, se chocando contra um muro de contenção em sua chegada a Santiago.

O áudio gravado nas caixas-pretas também mostrou que o maquinista falava no telefone no momento do acidente com um funcionário da Renfe, a companhia ferroviária espanhola, que havia telefonado pouco antes "para indicar o caminho que deveria seguir ao chegar a Ferrol", seu destino final, informou o Tribunal Superior de Justiça da Galícia.

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Neste momento, "parece que o maquinista consulta um plano ou algum documento similar em papel", segundo o tribunal.

Garzón, um maquinista experiente de 52 anos, foi acusado de 79 homicídios por imprudência, mas ficou em liberdade sob controle judicial.

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