EUA interrompem ofensivas contra o Irã e abrem caminho para novas negociações
Presidentes se reúnem em meio a incertezas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio
Internacional|Do Estadão Conteúdo

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Os Estados Unidos interromperam os ataques aéreos contra o Irã após quase duas semanas de bombardeios intensificados, abrindo espaço para uma nova rodada de negociações diplomáticas. Apesar da pausa nos confrontos, o cenário permanece incerto às vésperas de o conflito completar cinco meses, na próxima terça-feira (4).
O presidente Donald Trump afirmou que as conversas com Teerã estão em andamento, mas voltou a ameaçar novas ofensivas caso as negociações fracassem.
Ao mesmo tempo, minimizou os impactos políticos da alta dos preços da gasolina provocada pela guerra, descartando que o tema possa prejudicar o Partido Republicano nas eleições legislativas de novembro.
A expectativa em torno da visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à Casa Branca na próxima semana também amplia as incertezas.
Embora Israel tenha iniciado a ofensiva militar ao lado dos EUA em 28 de fevereiro, o governo israelense não participou dos ataques americanos mais recentes, concentrados na resposta ao controle imposto pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz, corredor por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Um integrante dos esforços regionais de mediação afirmou que tanto Washington quanto Teerã demonstram interesse em preservar o cessar-fogo provisório firmado em junho.
De acordo com a fonte ouvida pela Associated Press, as negociações discutem um possível entendimento que permitiria ao Irã exercer maior controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, mas com menos restrições à navegação internacional.
No domingo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que representantes iranianos e de Omã realizaram diversas rodadas de negociações técnicas sobre o futuro da passagem marítima. Segundo ele, apesar da saída da delegação omanita de Teerã, as conversas continuam avançando.
Disputa pelo Estreito de Ormuz
Desde o início da guerra, o Irã endureceu o controle sobre o Estreito de Ormuz, atacando petroleiros e navios cargueiros. A medida provocou uma disparada nos preços internacionais do petróleo e elevou os custos dos combustíveis, tornando o conflito impopular entre parte do eleitorado americano.
Após o cessar-fogo provisório firmado em junho, iniciou-se uma disputa sobre as regras de navegação na região. O governo iraniano passou a exigir que embarcações utilizassem uma rota próxima ao seu litoral e chegou a indicar que poderia cobrar taxas pela passagem. Em resposta, muitos navios passaram a navegar por uma rota mais ao sul, próxima à costa de Omã, sob monitoramento americano.
Os Estados Unidos intensificaram os ataques contra posições costeiras iranianas para reduzir a capacidade de Teerã de atingir embarcações no estreito. Posteriormente, ampliaram os alvos para incluir pontes e outras infraestruturas estratégicas no sul e no centro do território iraniano.
Tensão permanece elevada
Mesmo com a suspensão dos ataques entre EUA e Irã, outros focos de tensão continuam ativos na região.
No sábado, os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita, em resposta aos bombardeios sauditas sobre Hodeida, cidade estratégica às margens do Mar Vermelho.
O grupo, apoiado pelo Irã, afirma ter bloqueado o Estreito de Bab el-Mandeb, rota que ganhou importância para as exportações sauditas após as restrições no Estreito de Ormuz.
As forças americanas também reforçaram o bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo Washington, um navio com bandeira de Moçambique foi interceptado no Golfo de Omã na sexta-feira após desrespeitar ordens para interromper a navegação.
Enquanto a diplomacia avança, Trump mantém o discurso de pressão militar. Na sexta-feira, afirmou que os Estados Unidos têm duas alternativas: continuar enfraquecendo o Irã militarmente ou chegar a um acordo por meio das negociações.
“O Irã está ficando cada vez mais sério com o passar dos dias, talvez por um motivo óbvio”, declarou o presidente, acrescentando que ainda não acredita que Teerã esteja pronto para fechar um acordo.
Também na sexta-feira, Trump reuniu seus principais assessores de segurança nacional para avaliar se o governo deve manter a estratégia atual ou ampliar a campanha militar. Apesar da reunião, nenhuma ofensiva americana foi registrada durante a noite, encerrando uma sequência de 13 noites consecutivas de ataques.
Questionado sobre a influência do conflito nas eleições de novembro, Trump afirmou que não pretende acelerar uma solução por motivos políticos. “Temos que fazer isso da maneira certa. As eleições se resolvem sozinhas”, declarou.











