‘Mentalidade viking’: como soldados noruegueses preparam ucranianos para a guerra
Treinamento combina habilidades de combate, disciplina e capacidade de operar sob condições extremas
Internacional|Do R7
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Soldados noruegueses estão levando uma espécie de “mentalidade viking” para o treinamento de militares ucranianos que se preparam para combater a Rússia. A cultura guerreira, a disciplina e a resistência associadas à tradição nórdica fazem parte da identidade de uma das unidades de elite do Exército da Noruega envolvidas na preparação das tropas de Kiev.
A Noruega lidera a Operação Legio, iniciativa internacional criada para apoiar, treinar e equipar soldados ucranianos. O programa reúne 11 países e combina a experiência adquirida pela Ucrânia no campo de batalha com práticas militares adotadas pela Otan.
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Grande parte dos treinamentos é conduzida por integrantes do Batalhão Telemark, uma unidade de infantaria mecanizada de elite do Exército norueguês que incorporou elementos da cultura viking à própria identidade.
O major John, oficial responsável pelas operações de treinamento da missão, afirmou ao Business Insider que o batalhão procura desenvolver não apenas habilidades militares, mas também uma “mentalidade guerreira” que permita aos soldados combater e sobreviver em condições extremas.
“Extraímos essa mentalidade guerreira de nossa herança viking, e a cultura viking é muito importante para nós”, afirmou o militar, que pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome por razões de segurança.
O Batalhão Telemark tem como símbolo um navio viking e utiliza como grito de guerra uma referência à mitologia nórdica: “To Valhalla!”. Na tradição escandinava, Valhalla é o grande salão de Asgard para onde vão os guerreiros considerados dignos após morrerem em batalha.
O que é a ‘mentalidade viking’?
A ideia, segundo os militares noruegueses, não significa estimular um comportamento agressivo ou imprudente entre os soldados.
John explicou ao Business Insider que a unidade procura aproveitar os aspectos considerados positivos da cultura guerreira dos antigos vikings e adaptá-los aos padrões éticos e morais exigidos de militares contemporâneos.
“Não se trata de ser excessivamente agressivo ou ansioso para lutar, fazendo coisas estúpidas”, afirmou. A proposta, segundo ele, é utilizar elementos dessa mentalidade para fortalecer a capacidade de enfrentar situações adversas.
O treinamento combina, portanto, habilidades de combate, disciplina, resistência física, coesão entre os integrantes das unidades e capacidade de operar sob condições extremas.
A preparação dos militares ucranianos ocorre no Camp Jomsborg, uma estrutura construída na Polônia a aproximadamente duas horas da fronteira com a Ucrânia.
O local foi criado em 2025 e recebeu sua quinta turma de soldados ucranianos no fim de maio. Cada ciclo de treinamento dura 51 dias.
A própria escolha do nome do acampamento é uma referência à cultura nórdica. Jomsborg é uma fortaleza lendária associada aos Jomsvikings, uma irmandade de guerreiros que, segundo as sagas nórdicas, teria existido na região do mar Báltico.
O general de brigada Atle Molde, comandante da Força-Tarefa Legio, explicou ao Business Insider que os Jomsvikings eram lembrados pela disciplina e pelo profissionalismo como guerreiros. Por isso, a referência foi incorporada ao nome do centro de treinamento.
A identidade viking também está presente na estrutura do acampamento. O local possui placas e elementos decorativos inspirados na cultura nórdica, além de uma grande representação de um navio viking. As ruas receberam nomes relacionados à mitologia escandinava, incluindo uma homenagem a Thor, o deus nórdico do trovão.
Sobrevivência dos soldados
De acordo com John, o objetivo principal da Operação Legio é aumentar a letalidade e a capacidade de sobrevivência dos soldados ucranianos antes que eles sejam enviados para a linha de frente.
Os exercícios são realizados durante o dia e à noite e procuram reproduzir, da maneira mais realista possível, situações encontradas em uma guerra.
A preparação inclui cenários de combate e treinamento em condições consideradas particularmente difíceis. A intenção é fazer com que os militares estejam preparados não apenas tecnicamente, mas também mentalmente para suportar a pressão de um conflito prolongado.
Para os noruegueses, a coesão entre os integrantes das unidades é outro elemento fundamental. A “mentalidade guerreira” associada à cultura viking é utilizada justamente como uma ferramenta para reforçar esse espírito coletivo.
Molde afirmou que o objetivo é transmitir aos ucranianos aquilo que os noruegueses consideram positivo em sua própria cultura militar — desde que isso contribua para a união das tropas e tenha um efeito positivo sobre os soldados.
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