Ministro da Cultura do Egito renuncia em protesto pela repressão policial
Internacional|Do R7
Cairo, 4 fev (EFE).- O ministro da Cultura do Egito, Mohammed Saber Arab, apresentou sua renúncia nesta segunda-feira em protesto pela repressão policial nas recentes manifestações contra o presidente do país, Mohammed Mursi, informaram os meios oficiais. O porta-voz do Conselho de Ministros, Asa el Hadidi, disse que Arab apresentou sua renúncia ao chefe do governo, Hisham Qandil, e que seu pedido está sendo estudado, segundo declarações recolhidas pela agência oficial egípcia "Mena". A agência não informou os motivos da renúncia, mas o jornal estatal "Al-Ahram" afirmou que esta foi devido à atuação da polícia, especificamente no caso do cidadão Mohammed Saber, golpeado e despido pelos agentes nas proximidades do Palácio Presidencial na última sexta-feira. Uma fonte do Ministério de Cultura, citada pela publicação, afirmou que o ministro se encontrava em "uma situação psicológica difícil" e alegou que não podia continuar em seu cargo depois do ocorrido com Mohammed Saber. O caso de Saber gerou uma grande polêmica no Egito e o vídeo da agressão brutal gravado por uma televisão local foi amplamente divulgado. Saber garantiu ontem em uma entrevista à televisão estatal no hospital da polícia em que estava internado que foi agredido por manifestantes e não policiais. Entretanto, se retratou algumas horas depois diante da Procuradoria Geral e acusou os agentes. O Ministério Público ordenou hoje a um tribunal do Cairo que averigue o caso e pediu ao Ministério do Interior os nomes dos policiais supostamente envolvidos na agressão. Por outro lado, o Ministério da Saúde informou hoje a morte do ativista Mohammed al Gendi, do grupo de oposição Corrente Popular Egípcia, devido aos ferimentos que sofreu em uma das últimas manifestações. No entanto, o porta-voz do grupo de oposição, Emad Hamdi, denunciou que Al Gendi morreu após ser torturado por policiais durante sua detenção. Hamdi explicou à Efe que "os policiais se revezaram para torturar de maneira terrível" ao jovem, que - acrescentou - participou de uma manifestação no último dia 28 de janeiro e acabou preso por supostamente insultar um policial. Diante destas denúncias, Mursi pediu hoje à polícia respeito às leis e aos direitos humanos na hora de lidar com os cidadãos e os distúrbios que ocorrem no país. Desde 25 de janeiro, quando foi celebrado o segundo aniversário da revolução egípcia, mais de 50 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas nos confrontos entre as forças da ordem e os manifestantes que protestam contra Mursi. EFE mv-ms/rpr













