Ministro de economia francês diz faltar sinceridade democrática a referendo
Internacional|Do R7
Paris, 4 jul (EFE).- O ministro de Economia da França, Emmanuel Macron, reiterou neste sábado a opinião de seu governo, de que o referendo convocado amanhã pela governo da Grécia é legítimo, mas que há uma falta de "sinceridade democrática" no momento e na questão colocada. "Quando um é democrata a fundo, é preciso ir a fundo da sinceridade democrática, que consiste em explicar os problemas em sua complexidade, inclusive a sua própria população", assinalou Macron em declarações ao canal "BFM TV" em Utrecht, onde assistiu à primeira etapa da Tour de France. O ministro francês insistiu que "o referendo grego é legítimo", mas também que dúvida que a pergunta da consulta e o momento escolhido sejam os adequados. "O referendo se refere a textos que já não correspondem ao que está na mesa. E aí há uma grande responsabilidade do governo grego", assinalou. Horas antes o canal "El Mundo" divulgou trechos de uma entrevista com o ministro grego de Finanças, Yanis Varoufakis, em que ele contra seus sócios europeus ao assinalar que "o que estão fazendo com a Grécia tem um nome: terrorismo". O presidente francês, François Hollande, tinha mantido até quarta-feira uma atitude a favor de continuar a negociação com Tsipras apesar da convocação do referendo, mas no Eurogrupo realizado no último dia 1º ganhou a posição da chanceler alemã, Angela Merkel, no sentido de que não havia nada a discutir até depois do resultado da consulta. Em uma linha ainda mais taxativa, o ex-presidente conservador francês Nicolas Sarkozy carregou contra a estratégia de Hollande e avaliou hoje que se o "sim" vencer no domingo, Tsipras terá que deixar o cargo. Em discurso na Festa da Violeta organizada na Ferté Imbault (no centro da França) por uma corrente particularmente direitista de seu partido, Os Republicanos, Sarkozy ironizou seu sucessor no Eliseu. "Hollande diz que é preciso buscar compromissos. Bom, mas não com qualquer um e não qualquer compromisso", comentou. Além disso, insistiu que "Tsipras se colocou em uma situação impossível. Se o povo grego diz 'sim' ao plano que propõe a Europa, está obrigado a sair. Se os gregos disserem 'não', Tsipras não pode negociar porque isso equivaleria a negociar com seus sócios europeus com um mandato ainda mais duro do que o de antes do referendo". "A Grécia se dotou de um primeiro-ministro que não compartilha nenhum de nossos valores, que não assume nenhuma das responsabilidades que deveriam ser as de um primeiro-ministro de um grande país da Europa, que diz aos credores que pouco importa o que pensam", denunciou. Por isso Sarkozy estimou que "a questão não é tanto como proteger a Grécia, mas como proteger os outros 18 países atualmente membros da zona do euro". O líder conservador francês se referiu à polêmica gerada pelo ministro grego de Defesa - do partido ultranacionalista com o qual o Syrizase aliou - quando advertiu que se os europeus não os ajudassem, deixariam passar através de sua fronteira com a Turquia "hordas de (imigrantes) irregulares, incluídos jihadistas". "Quando um ministro diz isso, o dever dos republicanos e dos democratas, como somos na Europa, é deter todas as discussões enquanto não forem apresentadas desculpas". EFE ac/cd









