Moradores do porto de Tianjin voltam a protestar; funcionários são investigados por aceitar subornos
Residentes dizem que não tinham conhecimento que o terminal guardava materiais perigosos
Internacional|Do R7

Moradores do porto de Tianjin cujas casas ficaram destruídas pelas explosões de um terminal de produtos químicos no último dia 12 de agosto voltaram a protestar nesta terça-feira (18) para pedir compensações e maior atenção das autoridades locais.
Dezenas de moradores, em um número um pouco menor que o que se concentrou na segunda-feira (17), levaram cartazes e fotografias de suas casas destruídas ao hotel Mayfair — onde o governo municipal informa diariamente dos detalhes sobre o acidente — para exigir às autoridades que seus problemas sejam atendidos.
"O governo não nos dá explicações, só nos pede que escolhamos um representante para dirigir as negociações", declarou à Agência Efe um dos manifestantes, Yang Bolin, cuja casa se encontra a cerca de mil metros da área da explosão e perdeu todas suas portas e janelas. "As autoridades não nos propuseram por enquanto nenhum plano de compensação, nem nos consolam muito. Nos sentimos desprotegidos", acrescentou Yang, que também se queixou da pouca atenção dos meios de comunicação a seus problemas.
Os manifestantes, que usavam máscaras por temor de que a explosão de materiais químicos tenha causado problemas ambientais na região onde vivem, também realizaram junto ao hotel uma assembleia improvisada na qual escolheram porta-vozes e analisaram os passos a seguir.
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Muitos residentes na área afetada, entre os quais se encontram muitos dos 700 feridos no desastre, se queixam que não tinham conhecimento que o terminal acidentado guardava materiais perigosos. Também argumentam que muitas casas estavam a menos de um quilômetro da região da explosão, descumprindo os níveis mínimos de segurança.
"Queremos que o governo avalie o estado de nossas casas e vejam se se podemos viver nelas ou não", ressaltou Yang, que também propôs, como em protestos de dias anteriores, que as autoridades comprem as casas nas quais temem que ninguém queira viver. Alguns destes manifestantes receberam ofertas de indenizações iniciais de 2.000 iuanes (pouco mais de US$ 300), mas não as aceitaram, temerosos que após isso não possam ter outras compensações.
Nesta terça-feira, o porto de Tianjin realizou uma cerimônia tradicional em homenagem às vítimas das explosões ocorridas no dia 12 de agosto, na qual participaram centenas de pessoas e os navios atracados no porto, que fizeram soar suas sirenes. O ato solene, no qual participaram cerca de 300 pessoas, entre elas autoridades locais, aconteceu seis dias depois da catástrofe, uma data que segundo a tradição chinesa é a mais indicada para se despedir dos mortos.
Entre os participantes se destacavam vários bombeiros, um dos coletivos mais afetados pelo acidente, já que muitos dos 114 mortos e dos 57 desaparecidos eram membros dessa corporação, que chegaram ao local do acidente após as primeiras explosões.
A área da homenagem, próxima ao terminal de materiais explosivos onde ocorreu o acidente, foi decorada com crisântemos brancos, a flor mais utilizada nos funerais orientais, e um grande cartaz com mensagens de condolência. Homenagens similares aconteceram no Hospital TEDA, onde é atendida a maioria dos 700 feridos nas explosões, e onde a equipe médica acendeu velas em tributo aos falecidos.
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Vários funcionários de Binhai, o distrito portuário onde se situa o terminal de contêineres, estão sendo investigados por suspeitas de aceitar subornos. A informação foi publicada pelo Jornal do Povo, porta-voz do Partido Comunista da China (PCCh), em um breve comentário divulgado em sua conta no Twitter, no qual não especifica as identidades dos investigados.
Por outro lado, o presidente e o vice-presidente da empresa Ruihai International Logistics, proprietária do terminal de contêineres, foram detidos, além de outros executivos da companhia. O Conselho de Estado (Executivo chinês) anunciou hoje que criou uma equipe encarregada de investigar as causas das explosões, e que "castigará severamente os responsáveis".
Além disso, a Suprema Corte chinesa, na prática supeditada ao Partido Comunista, por não haver independência judicial, anunciou no domingo o início de uma investigação para averiguar se houve negligências que provocaram as explosões. Além da suposta posse de produtos químicos perigosos sem licença, há outras possíveis irregularidades como o desconhecimento de se os bombeiros foram informados que havia produtos inflamáveis no terminal quando foram apagar um incêndio prévio, o que pode ter provocado a explosão perante o contato com água.
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Imensas explosões em um terminal de contêineres com produtos inflamáveis na cidade de Binhai, na China, deixaram centenas de feridos e dezenas de mortos na noite desta quarta-feira (12)
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