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Morre Giulio Andreotti, sete vezes primeiro-ministro da Itália

Internacional|Do R7

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Por Philip Pullella

ROMA, 6 Mai (Reuters) - Giulio Andreotti, que foi primeiro-ministro italiano sete vezes e cujo nome era sinônimo de sobrevivência política e astúcia na terra que deu ao mundo Maquiavel, morreu nesta segunda-feira aos 94 anos de idade.


Andreotti, que há mais de meio século era conhecido como "Sr. Itália" por causa dos muitos cargos que ocupou, morreu em casa, disseram fontes da família. Ele sofria de problemas respiratórios há anos e tinha sido internado várias vezes.

Um dos principais membros do extinto partido Democrata Cristão (DC) que dominou a política italiana por quase 50 anos após a Segunda Guerra Mundial, Andreotti foi membro do Parlamento em todos os mandatos desde 1945. Em 1991, foi nomeado senador vitalício.


Era uma figura complexa que encarnou as contradições e intrigas da política muitas vezes obscura da Itália.

Seus inimigos o chamavam Belzebu, mas ele era profundamente religioso e recebia a comunhão de papas. Ele foi acusado e absolvido tanto de ser um membro da máfia como de ordenar o assassinato de um jornalista investigativo.


Seus partidários disseram que ele serviu seu país como poucos, ajudando a transformar a Itália de um remanso agrícola devastado pela guerra em uma potência líder industrial no espaço de uma geração.

Mas muitos italianos acreditavam que ele era a essência do sujeito astuto de bastidor, a supervisionar um sistema político cheio de nepotismo e corrupção.


Ocupou quase todos os cargos políticos da Itália abaixo da presidência. Sua liderança em sete governos do pós-guerra foi superada apenas pelo seu mentor, Alcide De Gaspari, que teve oito mandatos.

No final de um julgamento sensacional e dois recursos, Andreotti foi absolvido em 2004 das acusações de ter sido membro da máfia e de ter protegido mafiosos nos corredores do poder.

No entanto, a mais alta corte da Itália disse que ele manteve ligações com gangsters da máfia até 1980.

A alegação mais chocante foi que uma vez ele trocou um beijo de respeito com o "chefe dos chefes" Salvatore "Toto" Riina, então o homem mais procurado da Itália e agora na prisão.

Andreotti negou as acusações com base em depoimentos de traidores da máfia, e no final os tribunais acreditaram nele.

Ele personificou a chamada primeira república da Itália, dominada pelos democratas-cristãos.

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